Agentes penitenciários apreendem 41 “trouxinhas” de cocaína dentro de Presídio

Os entorpecentes, 41 “papelotes” de cocaína, foram encontrados escondidos no vaso sanitário de Josué Cruz Gomes, 32 anos, conhecido como  “boi”, na cela 05, alojamento “L”, onde cumpre pena por crime de tentativa de homicídio.

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Segundo informações, a droga encontrada em poder do detento teria entrado no Presídio no domingo, 03. Naquele dia, agentes penitenciários teriam flagrado a dona de casa Meirizane Santos da Silva, 23 anos, quando tentava entrar no Presídio Estadual levando um aparelho celular, um carregador e uma porção de maconha escondidos dentro da vagina.

Segundo informações, Meirizane é mulher do presidiário Samuel Bezerra da Silva, 24 anos, que cumpre pena por crime de roubo (assalto), no Presídio Estadual Dr. Francisco de Oliveira Conde.

De acordo com apuração realizada pelos agentes penitenciários a cocaína encontrada em poder de Josué Cruz, faz parte do mesmo esquema da droga e celular que a mulher tentava entregar para o marido também detento.

Encaminhado a Delegacia de Flagrantes – DEFLA, Josué Cruz assumiu que a droga era dele, mas alegou que não pretendia traficar e que a cocaína era para o seu consumo.

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Josué Cruz Gomes, o “boi”

Droga dentro de Presídio é um mal necessário, diz detento

Nos últimos meses tem aumentado consideravelmente o número de apreensões de drogas nos Presídios do estado do Acre.

Credita-se esse volume de apreensões e prisões de pessoas envolvidas com o tráfico nos Presídios á implantação de agentes penitenciários e a determinação da direção do sistema prisional de combater o tráfico interno.

Quando perguntado aos detentos que são flagrados com entorpecentes dentro dos Presídios, o porquê de continuarem consumindo drogas depois de presos, a resposta é quase sempre a mesma: “ A droga dentro do Presídio, é um mal necessário, uma espécie de calmante” afirmam alguns detentos.

Um dos presos entrevistado que vamos identificá-lo pelo nome fictício de “João” argumentou que a ociosidade é o mal maior dentro do Presídio e que somente consumindo drogas é possível suportar os meses e anos de condenação sem tentar fugir ou rebelar-se.“Antigamente a droga entrava livremente no Presídio, eram levadas algumas vezes por familiares, funcionários e até por policiais que vendiam aos presos. Hoje com os novos agentes penitenciários existe uma fiscalização maior, mesmo assim a droga continua entrando e isso não pode acabar” relata o detento.

De acordo com o detento “João”, é o consumo de droga que mantém a “ordem” no Presídio e que todos que fazem parte do sistema sabem disso.
“Policiais, agentes penitenciários, administradores, ou seja, todos que fazem parte do sistema carcerário sabem que a droga é um mal necessário. Não estou falando exclusivamente do Presídio local não, isso é em qualquer Presídio do Brasil. São milhares de homens depositados em um prédio cercado de muralhas que não possuem nenhuma atividade, vivem quase que 100 % das horas ociosas e isso deixa qualquer um maluco, então procura-se um meio de manter a calma, e o stress somente é eliminado com o consumo de drogas, principalmente a maconha.”, revelou o detento.

O detento chegou a afirmar que quando falta droga dentro do Presídio, os presos se rebelam, fazem motins e provocam algum tumulto.
“Eu já disse e vou repetir, a droga nos Presídios é tolerada e considerada um mal necessário, as autoridades sabem disso, em alguns casos são omissas e em outros coniventes, por que todos têm consciência que quando o “porão” (Presídio) ta calmo é por que os “ratos” (detentos) estão com droga, caso contrário o “barril” (Presídio) explode. Aqui no Acre os Presídios estão livres de facção, por isso é possível manter o controle, só não devem é racionar geral, por que se isso acontecer ninguém controla a reação” finalizou.

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Presidente do IAPEN discorda da opinião de detento e afirma que combate ao tráfico é permanente

O diretor presidente do Instituto de Administração Penitenciário do estado do Acre, Leonardo Neves de Carvalho, discorda totalmente das afirmações do detento “João”, com relação à alegação que a presença de entorpecentes dentro das unidades prisionais surte efeito de calmaria.

Leonardo diz que, ao contrário, o consumo de drogas dentro ou fora dos centros de recuperação social é nocivo, causam transtornos, brigas e disputas entre os detentos.

Quanto a ociosidade, o Diretor do IAPEN afirma que a política desenvolvida hoje nos Presídios do estado do Acre é a oferta de trabalho interno e externo para aqueles que conquistaram o benefício junto a Vara de Execuções, oferta de educação profissional  com acompanhamento técnico e atendimento a saúde física e mental do reeducando.

Leonardo Carvalho, disse ainda que a política do IAPEN é de não tolerância a presença de drogas nos Presídios.
“Não somos omissos e nem coniventes com o tráfico de drogas. O combate já vem acontecendo independente de quem seja o autor do tráfico, se reeducando, agente penitenciário ou colaborador do sistema. Estamos sempre atentos a qualquer tentativa de se introduzir entorpecentes nas unidades de segurança prisional no estado. Desenvolvemos técnicas e meios de detectar e treinamento pessoal no sentido de coibir a entrada de substâncias entorpecentes. Participamos ativamente de investigações internas e externas que resultaram na prisão de pessoas envolvidas com o tráfico ou que facilitaram a entrada de droga nos centros de recuperação social e vamos permanecer nesse trabalho de combate” Afirmou o diretor.

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Leonardo Neves de Carvalho, presidente do IAPEN, discorda das afirmações do preso

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