Tião Viana: “a hora é de comemorar a nossa vitória”

Durante coletiva à imprensa, acompanhado das principais lideranças da Frente Popular, o governador eleito Tião Viana (PT) traçou um quadro do momento político acreano. Evitou se aprofundar na questão do resultado eleitoral, mas admitiu que ajustes deverão acontecer no seu governo. Para Tião Viana, o fato de a FPA ter conseguido o seu quarto mandato seguido tem que ser muito celebrado.
Entrevista-FPA
Avaliação da diferença de votos

Indagado sobre a sua votação e a do seu adversário, Tião Bocalom (PSDB), que ficou em torno de 1% de diferença, o governador eleito respondeu: “o momento é de agradecimento. Esse é o quarto mandato da FPA em que fomos vitoriosos no primeiro turno. Temos um sentimento de profunda gratidão. Estamos vivendo a alegria de uma vitória. Foi um momento de força e de vitória da FPA com um governador eleito, o senador mais votado, cinco deputados federais e a maioria da composição da Aleac. Com humildade faremos o processo de aprendizado, como em todas as eleições, do que as urnas querem dizer”, afirmou.

A derrota na Capital
Tião Viana também falou sobre a vitória da oposição em Rio Branco. “As prefeituras do Brasil inteiro vivem uma situação de dificuldade desde a crise de 2008. Isso repercutiu no financiamento público dos municípios e interferiu em todas as prefeituras do país. Mas Rio Branco tem a sua maneira própria de pensar uma eleição e já nos deu vá-rias vitórias. Se manifestou alguma insatisfação nós temos que ter a humildade de considerar o recado para levarmos adiante com um envolvimento cada vez maior com a comunidade da Capital. Ganhamos em várias outras cidades, como Cruzeiro do Sul. Neste momento, Rio Branco não deu o grito de vitória, mas nos deu uma votação fantástica”, destacou.

O governador eleito também analisou outras causas da mudança eleitoral na Capital. “Tem sinais que a população diz que quer um ajuste, mas isso faz parte da natureza democrática. Por exemplo, como olham o saneamento básico com uma ansiedade justa que temos de respeitar. O tempo da resposta do saneamento tem uma velocidade da construção de uma cidade que vivia no caos em gestões passadas. São itens que nós temos que analisar. O que importa é que a maioria quer que o projeto da FPA seja levado adiante pelo modelo ético que representa”, justificou.

Quando outro jornalista pontuou que existem problemas com o atual Governo, Binho Marques (PT) pediu para falar. “Neste momento qualquer avaliação sobre o Governo é precipitada. Está todo mundo no calor da eleição. O Governo, no meio da campanha, foi avaliado pelo Ibope e deu mais de 74% de ótimo e bom. Estamos nos propondo a refletir sobre o resultado eleitoral, mas o momento agora é de celebrar. E nós temos motivos de sobra”, disse o atual governador.

Também foram colocadas as reclamações de parlamentares em relação aos secretariados da prefeitura e do Governo. O novo governador também se manifestou sobre o assunto. “Todos os governos têm erros e acertos. Não vou julgar esse problema de relacionamento agora de secretariado com parlamentares. A mim compete julgar o relacionamento do futuro. Mas a defesa do governo Binho, por tudo que representa e representou para o Acre, tenho a maior alegria em fazer. Terei a imensa responsabilidade de estabelecer o modelo governo/sociedade a partir de primeiro de janeiro”, salientou.

Saúde e Segurança
Jornalistas disseram que as duas principais pastas precisam de mudanças. Tião Viana se posicionou: “há uma intensa dedicação para definirmos o que é realidade e o quê está em curso de trabalho além do desafio das ações estruturante. Há um sentimento de renovação a cada mandato. Também farei isso a partir do dia primeiro de janeiro. Mas as grandes diretrizes serão preservadas e os desafios a serem constituídos analisados. Vamos tratar esses temas com sentimento de união. Nomes de secretários não há menor possibilidade de ser tratado agora. Evidentemente que têm que ser feitos ajustes nas áreas de Educação, de Saúde, da Segurança e em todas as áreas. Foi assim que o governador Binho fez quando substituiu o Jorge. Nós vamos fazer também, mas a intensidade será de acordo com os desafios que temos que cumprir em relação com a população que está esperando avanços que, aliás, têm ocorrido”, argumentou.

O apoio de Marina Silva à Dilma
O tema foi abordado pelos jornalistas no sentido de uma possível interferência das lideranças acreanas da FPA para Marina Silva (PV) apoiar Dilma Rousseff (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. Tião Viana limitou-se a dizer: “liguei à Marina para agradecer o voto dela e desejar-lhe sorte. Acho que esse era o meu papel, apenas agradecer”, disse. Binho completou: “vou trabalhar muito pela vitória da Dilma no Acre. Já deixei claro que o meu papel é garantir a sua vitória. Se a Marina me ligar vou dar a minha opinião, mas não terei uma iniciativa de ligar porque ela sabe o que está fazendo”, afirmou.

O senador eleito Jorge Viana (PT) também opinou: “todos temos que descer do palanque porque teremos uma eleição para presidente. É importante olhar o que é melhor para o Acre. Estou torcendo para que a Marina faça a opção pela Dilma, mas vamos respeitar o tempo dela. A Marina é o segundo turno, ela não está no segundo turno e tem uma responsabilidade com quase 20 milhões de pessoas que votaram nela. A candidatura do Serra (PSDB) é o projeto da elite paulista. Para nós do Acre, do Nordeste e da Amazônia é melhor um governo que dê seqüência ao trabalho do presidente Lula que seria a Dilma que tratará dos excluídos. A Dilma é quem pode ajudar que a nossa vida melhore”, avaliou.

Jorge Viana aproveitou para avaliar o resultado das eleições presidenciais no Acre. “Somando Marina e a Dilma deu 46%. O mesmo percentual do presidente Lula em 2006. Nunca foi fácil ganhar eleição no Acre. Temos que tirar muitas lições das urnas com humildade e também com alegria pela vitória. O eleitor do Acre é exigente e isso significa que a gente tem que trabalhar mais, ouvir mais e se dedicar mais”, explicou.

Desafio de substituir Marina e Tião
O senador mais votado da história do Acre analisou a responsabilidade de atuar no Senado onde Marina Silva e Tião Viana brilharam. “O desafio é maior do que governar o Acre. Suceder o Tião e a Marina no Senado que foram duas personagens que chamaram a atenção do Brasil e do mundo é uma responsabilidade. Vou com parceiro Aníbal Diniz (PT) e vou estudar mais. O mandato deles será fonte de inspiração. Tomará que o Petecão (PMN) eleito entenda isso e faça também o papel dele em favor do Acre”, salientou.

Mudança eleitoral no Juruá
O reduto anteriormente oposicionista garantiu a vitória da FPA. “O Juruá deu uma demonstração de maturidade política quando entendeu os governos do Jorge e do Binho. O processo de integração da BR-364 com um investimento de mais de R$ 1 bilhão foi importante. Também reconheceram a importância do Hospital Regional, da Nova Maternidade, do aeroporto, do ginásio, do estádio de futebol, do porto, do nosso modelo educacional e a integração econômica que o Acre fez na área do Juruá. Em alguns lugares não tivemos a mesma vitória que o Juruá nos deu. Mas foi uma vitória somada em todo o Estado”, analisou Tião. Jorge Viana complementou: “a votação fantástica no Juruá é uma prova de que o nosso projeto está dando certo no Estado inteiro. Isso Vai aumentar ainda mais a minha responsabilidade no Senado”, finalizou.

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