A hora de descer do palanque

Tudo bem que agora teremos a disputa presidencial entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Claro que o segundo turno vai mexer com os aliados no Acre das duas maiores correntes políticas brasileiras. Mas é fato também que a eleição regional já acabou. Os ganhadores e balseiros já foram indicados pelos votos soberanos das vossas excelências eleitores. Não há mais nada a fazer. Demagogia só daqui a dois anos nas eleições municipais. Já sabemos quem são o governador, os senadores, os deputados estaduais e federais.

O momento é para começar a se pensar em como valorizar os tão difíceis votos que cada um dos eleitos recebeu do povo acreano. Ninguém é governador, senador, deputado, etc. Numa democracia os mandatos pertencem à população que dá e tira conforme a sua vontade. Aqueles eleitos que se acharem alguma coisa já estão reservando com antecedência os seus lugares para Manacapuru nas próximas eleições. O remédio para empáfia e arrogância é balsa.

Considero ainda muito mais difícil desempenhar um mandato do que se eleger. Tem muita gente para quem se pode perguntar sobre isso. É preciso estar presente, como dizia Milton Nascimento, aonde o povo está. Pose só serve mesmo para fotografia. Depois da posse o melhor é arregaçar as mangas e trabalhar. Além disso, saber ouvir o clamor da sociedade às ações que se fazem necessárias. No exercício de um mandato é preciso se esforçar ainda mais do que durante uma campanha eleitoral.

A guerra política e ideológica para aqueles que exercem os mandatos de maneira consciente terminou no dia 3 de outubro. Evidente que existem as identificações com tendências políticas no momento de embasar as ações de um mandato. Mas as vociferações têm que terminar para o bem de todos e a felicidade geral da nação. Ninguém pode passar os próximos quatro anos em cima de um palanque. A população quer resultados na saúde, na segurança, na geração de empregos e no bem-estar social. Papagaiadas ideológicas devem ficar dentro dos próprios partidos.

Resumindo a gente não quer só comida. Mas condições para nos desenvolvermos como cidadãos e cidadãs. Possibilidades dignas para podermos direcionar os nossos destinos e também dos nossos descendentes. É preciso entender que a política é um instrumento para melhoria da qualidade de vida e não um fim. O objetivo é operar as mudanças necessárias para que todos possam ter acesso às benesses do mundo contemporâneo.   

Por isso, que a natural disputa presidencial no Acre seja mais uma etapa de um debate tranqüilo onde prevaleça a troca de idéias em detrimento do acirramento de divergências que não beneficiam ninguém.

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