O que é melhor para o Acre?

Entramos na reta final da campanha presidencial do segundo turno que merece uma reflexão profunda por parte dos eleitores acrea-nos. Qual dos dois presidenciáveis seria melhor para o Estado, Dilma (PT) ou Serra (PSDB)? Num Estado que ainda depende de recursos federais é preferível se ter um presidente sintonizado com o Acre. Alguém que conheça a nossa realidade e possa continuar a ajudar e investir na estru-turação da economia acreana.
O presidente Lula (PT) esteve mais de uma dezena de vezes no Acre e liberou recursos para obras fundamentais. A dúvida é se a Dilma terá, no caso de vitória, a mesma sintonia que o Lula. Mas acho difícil que ela abandone uma administração estadual do seu partido.

Por outro lado, Serra está de olho nas fronteiras acreanas. Sempre que se refere ao Estado é relacionando com o tráfico de drogas e armas. Muito mais preocupado com a segurança pública nas grandes cidades do Centro-Sul do Brasil do que efetivamente com o Acre. Aliás, o que o Serra já falou que vai fazer pelos acreanos que lhe deram uma estupenda vitória no primeiro turno?

Bem, pessoalmente ainda não ouvi nada. Só o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que numa entrevista comigo por telefone garantiu que o seu partido continuaria todas as obras do Acre. Mas não foi o Serra quem falou. Aliás, o tucano já disse nos debates de televisão que agirá pela sua cabeça. Então, realmente não tenho a certeza de que o simpático Alckmin estava autorizado a prometer a continuidade da BR-364 e da implantação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE).

O Serra vai se preocupar em ajudar mais os governos do PSDB de Minas e de São Paulo ou as gestões petistas do Rio Grande do Sul e do Acre? Ele tem falado claramente na desvalorização artificial do Real para melhorar a vida de meia dúzia de exportadores. Dilma quer expandir programas sociais como Luz Para Todos, Pro Uni, Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida e incrementar ainda mais o nosso mercado interno. Além de manter os rumos da nossa economia capitaneados por figuras como Guido Mantegna e Henrique Meirelles.

O PT e o PMDB conseguiram fazer a maioria absoluta dos senadores e deputados federais preparando um cenário favorável à governabilidade. Os tucanos teriam que construir essa maioria através do já famoso toma lá da cá.

Se a Dilma ganhar nacionalmente, como mostram as pesquisas, e perder no Acre vai ficar estranho para o governador eleito Tião Viana (PT) exigir alguma coisa. Agora, é hora de se deixar divergências locais de lado para pensar no global. Parafraseando a propaganda do Visa: Dilma 56%, Serra 44%. Democracia plena, não tem preço.

* Nelson Liano é jornalista
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