Nova Lei de Incentivo

Muita coisa muda, outras não. Uma que mudou foi a Lei de Incentivo ao Esporte e Cultura, que outras “eras” servia como via de escape para as entidades legalizadas – vamos chamar de Federações – promoverem um calendário para os seus praticantes. Agora, nesta nova “era”, poucas entidades legalizadas conseguiram ter seus projetos aprovados, restando as pessoas físicas a incumbência desta tarefa.

Para ser sincero seria uma boa atitude, caso as entidades que “distri-buem dinheiro” para os projetos pudessem fiscalizar in loco a realização dos eventos. Mas isso não é possível, claro que em raras situações acabam acompanhando. Outros acabam “passando desapercebidos” e o fim social é uma mera situação que não interessa aos seus executores.

No final do ano a imprensa poderá avaliar com cuidado se essa nova forma de trabalhar com a Lei de Incentivo, prestigiando novas entidades, foi válida, se a sociedade realmente foi beneficiada. Para nós, da imprensa esportiva, a concepção de projetos de entidades ou pessoas sem histórico compromissado com o esporte se torna perigoso.

É certo que há não muito tempo participei da comissão avaliadora, no qual me orgulhei muito por ser convidado e fiz questão de ler todos – digo todos mesmo – os projetos entregues para avaliação. Vi o perfil, analisei o alcance social, avaliei a importância e quais as modalidades a serem beneficiadas, mesmo assim no final acabei desistindo de uma nova participação. Dei notas para todos, mas também conhecia pessoalmente muitos dos executores dos projetos, não apenas uma análise de quem sabe elaborar um projeto e de quem não sabe.

Projetos de pessoas semi-analfabetas, que devem terem sido auxiliados por alguém, tiveram minhas notas mais altas, mas pela história de vida no meio social, não pela gramática impecável ou um perfil acadêmico.

Seria interessante que o próximo comitê avaliador fosse escolhido bem antes, corresse o “mundo” de Galvez, para ver quem realmente sai no dia de chuva ou sol para o meio da pista, grama ou rua, para ser mais um missionário do esporte. Mais envolvido com o crescimento social, através do esporte, que mesmo a preocupação com dividendos.

Não conheço nenhuma outra modalidade que tenha tantas competições quanto o futsal – com todos os seus acertos e defeitos -, ou na prática amadora que fun-cione, claro que precariamente pelo abandono das autoridades, que o Recriança, entre outros tantos. Entre os clubes profissionais, os mais abnegados talvez sejam o Juventus e o Vasco (leia-se Illimane e Lobinho respectivamente) e quantos desses foram contemplados pelos trabalhos prestados?
Claro que torço por essa nova Lei de Incentivo, mas antecipadamente vejo com preocupação e dúvida.

Ramiro Marcelo é jornalista.
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