Apenas uma história…

Existia uma vez, num país muito grande e muito distante, um estado muito pobre. Um estado que não pertencia a ninguém porque ninguém cuidava dele. Um estado estrategicamente viável, porém quase invisível.

O estado era muito jovem e as pessoas que lá viviam batalharam e decidiram que o estado pertenceria a um grande país. O grande país nem sabia da sua existência.

As pessoas que batalharam para pertencer ao grande país achavam que esse grande país seria uma grande pátria amada, uma mãe gentil, que os ajudaria a crescer, prosperar e caminhar com os seus próprios pés. Não foi isso o que aconteceu.

O grande país, governado por pessoas que não se interessavam pelo pequeno estado, lhes deu as costas.
Por muitos e muitos anos, as pessoas daquele pobre estado, foram maltratadas. Eram tidas como filhos bastardos e como bastardos não tinham o devido valor e nem mereciam ajuda.

O grande país acreditava que essas pessoas não produziam o suficiente para sobreviver e que deveriam receber apenas algumas migalhas para não morrerem de fome. Foi assim durante um longo tempo.

Até que um dia uma estrela brilhou. Um novo comandante do grande país assumiu a governança e deu ao pequeno estado as condições para crescer e se desenvolver.

Como há muito tempo o pequeno estado estava prestes a convalescer, a ajuda demorou a surtir efeito. Era preciso anos e anos para resgatar a dignidade e a vontade daquele povo para se empenhar em seu próprio progresso.

O estado era pequeno, não representava quase nada nas decisões do grande país e por isso se sentia à margem, na periferia, sem forças e, mesmo assim, o grande comandante acreditou naquela gente.

O restante dos estados, que compunham o grande país, ficou revoltado. Não acreditava que o comandante estivesse dando a vara, o anzol e a isca para que aqueles poucos bastardos improdutíveis pudessem sobreviver.

No Sul e Sudeste do grande país o grito era um só: deixe morrer! Não pedimos que adotassem esses irmãos!
O grande comandante daquele país foi forte e disse: não podemos virar as costas para os mais pobres, os mais fracos.

O comandante do grande país pegava capital dos produtivos estados do Sul e Sudeste para aplicar nos estados mais pobres no Norte e Nordeste. Era criticado.

Os comandados não ajudavam de bom grado e diziam que produziam para sustentar pessoas improdutivas sem levar em consideração as condições geográficas dos estados mais pobres.

A divisão dos impostos não agradava aos nascidos no Sul e Sudeste, ao mesmo tempo em que eram necessários investimentos em seu Norte e Nordeste para que o país fosse realmente forte de uma ponta à outra.

O grande comandante travou uma batalha interna para continuar no poder, mesmo que através de uma mulher, para garantir, aos mais fracos, o direito de crescer e ser forte como os demais estados do grande país. É só uma história.
 
Eliane Sinhasique é jornalista, radialista e publicitária
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