Marketing da verdade

Parecer melhor do que os outros é sempre perigoso, mas o que é perigosíssimo é parecer não ter falhas ou fraquezas. A inveja cria inimigos silenciosos. É sinal de astúcia exibir ocasionalmente alguns defeitos e admitir vícios inofensivos para desviar a inveja e parecer mais humano e acessível. Só os deuses e os mortos podem parecer perfeitos impunemente.

Robert Greene e Joost Elffers são mestres na arte do poder e, como eles, defendo que só tem poder quem utiliza o marketing da verdade.
Reconhecer que não deu para fazer uma saúde de primeiro mundo não é e nem nunca será uma demonstração de fracasso. Era preciso dizer que esse sonho não acabou e que todos sonham com isso. Era preciso dizer que tudo o que estava ao alcance foi feito e enumerar os avanços se comprometendo na busca da realização desse sonho.

A casa própria também era e é um sonho para mais de 20 mil famílias. Não foi realizado por falta de verbas, por falta de um orçamento específico para esse projeto mas que a realização poderia se concretizar com o novo programa do Governo Federal.

Olhar nos olhos e não omitir as falhas é bem melhor do que fazer de conta que essas falhas não existiram.

O povo pode até fazer de conta que está tudo bem, mas, silenciosamente, vai para a urna e lá deposita o seu voto em quem nada prometeu. Hoje é assim. Antigamente as pessoas escre-viam seus recados nas cédulas de papel para que os candidatos tomassem conhecimento de seus pensamentos.
A tecnologia pode ter avançado mas o esgoto a céu aberto continua.

Elegeram em 2008 (com margem de votos apertada) um candidato do partido governista. O discurso era lindo. Se todos, município, estado e governo federal pertencessem ao mesmo partido os recursos cairiam em cachoeira para resolver a situação de penúria dos menos favorecidos.
Não foi isso o que se viu.

O que temos é uma prefeitura da Capital dizendo que só recebe migalhas do Fundo de Participação dos Municípios. O que aconteceu???  Cadê os investimentos nas áreas de saneamento básico??? Os projetos de infra- estrutura??? Cadê a água nas torneiras???  Cadê o calçamento das ruas???
A elite acreana, que acessa a Sky e a internet, utiliza um vocabulário moderníssimo, mas ainda é insignificante para eleger quem quer que seja. Quem elege é a periferia, o povão, que existe em quantidade bem maior mas que não sabe o que é empoderamento, gestão, convergência e outras “frescurites” vocabulárias.

A falta do olho no olho, a falta do marketing da verdade e a falta de investimentos na periferia da Capital, refletiram nas urnas. Não adianta tampar o sol com a peneira. Todo mundo vê!

Só não vê quem não conhece o público consumidor (eleitores), quem não sabe onde fica os bairros Caladinhos da vida, quem não tem lama na sua rua, quem não tem um esgoto à céu aberto na porta de casa.

Além disso, é preciso saber quem o povo gostaria de ver no poder. As pesquisas existem para isso e deveriam ser utilizadas antes das eleições. Candidatos impostos por direções partidárias sem uma prévia consulta com as suas pró-prias bases é um verdadeiro tiro no pé.
Desculpem-me pelas verdades.
 
Eliane Sinhasique é jornalista, ra-dialista e publicitária
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