Câncer de bexiga: a urinação freqüente pode ter um efeito protetor

Mais de 47 mil homens e 16 mil mulheres nos Es-tados Unidos são diagnosticados com câncer de bexiga a cada ano. De acordo com a Liga Urológica Acadêmica – LUA da Unifesp, os homens são cerca de três vezes mais suscetíveis aos tumores de bexiga que as mulheres. Apesar de poder ocorrer em qualquer idade, Pompeo e colaboradores (2008) entende que a incidência de câncer de bexiga aumenta diretamente com a idade, sendo que na 6ª e 7ª décadas de vida o diagnóstico se torna mais freqüente.

Uma razão para a maior incidência em homens conforme asseguram outros autores é de que o receptor andrógeno, que é muito mais ativo em homens do que em mulheres, desempenha um papel importante no desenvolvimento do câncer.

O câncer de bexiga se relaciona a diversos tipos de crescimentos malignos da bexiga urinária. É um câncer no qual células anormais se multiplicam de forma descontrolada na bexiga urinária. O tipo mais comum de câncer de bexiga inicia nas células que recobrem o interior da bexiga e é chamado de carcinoma de células uroteliais ou carcinoma de células transicionais (CCT).

SINAIS E SINTOMAS
O tumor pode ser completamente assintomático, mas conforme a literatura na maioria dos casos há presença de sangue visível na urina a olho nu (hematúria macroscópica). Outros sintomas também podem ser observados, tais como: disúria (dor ao urinar), poliúria (urinar frequentemente) ou sensação de necessidade de urinar sem resultados. Contudo, estes  não são específicos do câncer de bexiga, ou seja, podem também ser causados por outras condições não-cancerosas, a exemplo das infecções da próstata e cistite. Em alguns casos o tumor pode se apresentar na forma de sintomas urinários como: ardência miccional, aumento na freqüência urinária e dor vesical.

CAUSA
Ainda não se sabe exatamente quais as causas do câncer de bexiga, mas de acordo com a maioria dos autores consultados, o câncer de bexiga apresenta os seguintes fatores de risco:

a) Exposição ocupacional – Trinta por cento dos tumores de bexiga provavelmente resultam da exposição ocupacional a carcinógenos no local de trabalho. As ocupações em risco são trabalhadores em indústria de metal, indústria de borracha, indústria têxtil e pessoas que trabalham com impressões;

b) Tabagismo – Especificamente o consumo de cigarros é responsável por até 50% dos casos em homens e até 40% dos casos em mulheres.

Além da exposição ocupacional e do tabagismo, certa drogas como a ciclofosfamida e o fenacetina são conhecidas por causar predisposição ao câncer de bexiga. A irritação crônica da bexiga (infecção, pedras na bexiga, caté-teres) predispõe a um carcinoma de células escamosas da bexiga.

DIAGNÓSTICO
O diagnóstico geralmente é feito por meio de um exame de urina, no qual é possível detectar hematúria (sangue na urina), bem como a presença de células anormais. Nesse caso, o paciente é submetido a um exame citoscópico, que consiste na introdução, via uretra, de um tubo fino e flexível de fibra ótica, com um telescópio na extremidade, que permite uma visão ampliada da parede da bexiga. Uma amostra de tecido é retirada durante esse procedimento (biópsia), para posterior exame anátomo patológico, que fornecerá o diagnóstico preciso. Dentre outros exames, o raios-X, testes laboratoriais, ultra-som e tomografias, também  serão necessários para se saber a extensão do tumor e planejar o tratamento mais adequado.

TRATAMENTO
O tratamento do câncer de bexiga vai depender, principalmente da profundidade e da invasão do tumor na parede da bexiga urinária.

No caso dos tumores superficiais (aqueles que não penetraram a camada muscular) eles são “raspados” utilizando-se um dispositivo de eletrocautério em conjunto com um cistoscópio. Também podem ser usadas para tratar a doença superficial as infusões de quimioterapia na bexiga. Caso não sejam tratados, os tumores superficiais podem gra-dualmente começar a infiltrar a parede muscular da bexiga.

Quanto aos tumores profundos que infiltram a bexiga, estes necessitam de uma cirurgia mais radical (uma cistectomia), na qual uma parte ou toda a bexiga é removida e o jato urinário é desviado. 

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer – INCA, após a remoção total do tumor, o médico pode administrar quimioterapia para eliminar células cancerosas que possam ter caído na corrente sanguínea.

IMPORTANTE
Em artigo publicado no Inter-national Journal of Cancer, os pesquisadores indicam que a urinação freqüente pode ter um efeito protetor, já que reduz o tempo em que a bexiga é exposta a compostos causadores de câncer na urina. Acrescentam que fumantes que não urinam à noite teriam sete vezes maior risco da doença do que os não-fumantes, mas aqueles que acordam para ir ao banheiro reduziriam esses riscos pela metade.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – UFAC. Coordenadora Operacional do Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

Assuntos desta notícia

Join the Conversation