A escola é nossa

Foi um longo caminho percorrido até nos encontrarmos na porta da escola pública no Acre e darmos um até logo aos filhos. Tenho dois e estão matriculados na rede pública de ensino. Tenho tanto orgulho disso que vocês nem imaginam. O mais velho passou por algumas instituições particulares até encontrar acolhimento e um pouco de compreensão em uma escola de ensino fundamental pública e receber o apoio pedagógico especial que precisava para avançar na série, ter acesso ao conhecimento formal previsto na legislação brasileira.

Naquela época estreamos procedimentos, técnicas, experimentamos as novidades para que houvesse a inclusão necessária. A mais nova já encontrou as portas abertas, mas com obstáculos a superar. Naturais, necessá-rios e sempre renovados. A escola pública é dinâmica. Vai se adequando aos novos momentos, às novas leis, aos desdobramentos das discussões sobre a qualidade do ensino, dos professores, do corpo técnico, da merenda escolar, do atendimento igualitário, do atendimento especializado, de tantas demandas e exigências que partem da sociedade, dos pais, dos alunos que não pode parar mesmo. Tem que se mexer. E se mexendo descobre meios diferentes de fazer para atender a todos. Aí está o meu orgulho.

De apontar um erro e ser ouvida. De oferecer uma sugestão e ser atendida. De ser conhecida como a mãe de fulaninho e sicraninha. De participar das atividades e conhecer os servidores (públicos) que estão ali construindo cada etapa do aprendizado de crianças e adolescentes como a tarefa mais importante do mundo. Sem glamourização. É o dia-a-dia da escola pública. Não há exibicionismo, nem grandes soluções. As saídas encontradas, as soluções adotadas possuem uma simplicidade comovente. E as pessoas são reais, com sorrisos se é hora de sorrisos, com caras feias se é a hora delas. As escolas pelas quais meus filhos passaram tiveram e têm essas características.

Foi muito bom saber que o secretário municipal de Educação tem os filhos matriculados em escola pública desde antes de assumir o cargo. Para construir a escola é preciso estar dentro porque o ambiente é super democrático apesar das dificuldades. Nesses espaços também há pessoas pouco à vontade com a profissão, com o salário, com a carga horária, que odeia o que faz e não sabe fazer outra coisa. A escola pública é um lugar onde existe uma grande margem de erro e em uma margem de acerto na mesma proporção. O bom é arriscar porque a escola é nossa e terá o formato que nós queremos.

* Golby Pullig é jornalista
Twitter: @golbypullig

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