A amebíase também pode causar lesões no fígado e pulmões

Amebíase é uma infecção do intestino grosso causada pela Entamoeba histolytica, parasitas comuns da nossa espécie que vivem no nosso aparelho digestivo ou infectam tecidos. Esses parasitas são seres pequenos, mas têm a capacidade de formar cistos, que são uma forma resistente às condições desfavoráveis do ambiente.

A amebíase pode provocar desde uma simples disenteria (diarréia) até o comprometimento de algum órgão ou tecido.

Segundo os autores consultados, a disenteria amébica é mais prevalente nos países tropicais, mas também ocorre nas zonas temperadas e mesmo frias. No Brasil, estima-se que a prevalência média de infecção pela Entamoeba, sintomática ou não, é de aproximadamente 23% da população.

SINTOMAS
Os sintomas mais comuns da amebíase de acordo com os estudiosos da área são: disenteria aguda com muco e sangue nas fezes; náuseas; vômitos e cólicas intestinais, porém, em certos indivíduos, a amebíase pode ser assintomática.

Existem casos em que a ameba pode passar a parasitar outras re-giões do organismo causando lesões no fígado, pulmões e mais raramente no cérebro. 

A formação de úlceras intestinais é comum, e as perdas de sangue podem levar à anemia por déficit de ferro, particularmente em mulheres que se encontram em idade fértil, devido a perda de sangue que ocorre mensalmente pela menstruação.

CONTAMINAÇÃO
A contaminação ocorre pela ingestão de cistos (uma forma de resistência dos protozoários, adquirida como maneira de proteger-se de condições desfavoráveis do ambiente), que tanto pode ser por ingestão de água ou por alimentos contaminados. Os cistos passam pelo estômago, resistindo à ação do suco gástrico, chegam ao intestino delgado, onde ocorre o desencistamento.

Do intestino delgado, migram para o intestino grosso onde se colonizam. Normalmente, eles ficam aderidos à mucosa do intestino, alimentando-se de detritos e bacté-rias. Em determinadas condições, invadem a mucosa intestinal, dividindo-se ativamente no interior das úlceras e podem, através da circulação porta, atingir outros órgãos. A liberação de sangue juntamente com as fezes é conseqüente da ruptura de vasos sangüíneos da mucosa intestinal.

A disenteria amébica pode ser recorrente, com períodos assin-tomáticos e outros sintomáticos, durante muitos anos. Por vezes ocorrem infecções bacterianas devido à fratura da mucosa do intestino. Esta infecção intestinal dura 12 dias. Neste caso, se os parasitas se disseminarem para além do trato, podem causar outros problemas.

DIAGNÓSTICO
O diagnostico da amebíase é feito no laboratório examinando as fezes de um indivíduo infectado, sendo que, para se ter um diagnóstico preciso necessário se faz analisar entre 3 e 6 amostras.

Exame de sangue também está disponível, mas somente é recomendado quando o médico achar que a infecção se espalhou para além do intestino a outro órgão do corpo, a exemplo do fígado. Nestes casos, o diagnóstico breve se torna muito importante, considerando que, este quadro clínico, poderá levar o paciente à morte.

Vale atentar para a recomendação que a maioria dos autores emite: o exame de sangue pode não ser conclusivo no diagnóstico, uma vez que ele pode ser positivo se a pessoa teve amebíase no passado, mas não está infectada atualmente.

TRATAMENTO
Existem vários fármacos disponíveis para o tratamento de amebíase, porém eles só podem ser prescritos por médicos. Autores indicam que vários amebicidas que se ingerem por via oral, são capazes de eliminar os parasitas do intestino. Para os casos graves e as infecções localizadas fora do intestino administra-se o medicamento e, após um, três e seis meses, voltam a examinar-se amostras de fezes com o intuito de assegurar que o doente esteja realmente curado.

PREVENÇÃO
Segundo a Fiocruz, a prevenção é feita quando se assegura condições mínimas de saneamento básico às populações e propor-cionar a elas água tratada, já que o cloro adicionado nas estações de tratamento mata os cistos desta e de outras amebas. Mas, é necessário que as pessoas adotem as seguintes ações:

Ferver a água, não usar cubos de gelo e não comer saladas e outros vegetais crus ou frutas cruas com casca em zonas endémicas, lavar bem as mãos após usar o banheiro, não beber água de fontes desconhecidas, mergulhar verduras por 15 minutos em uma solução de 0,3g de permanganato de potássio para 10 litros de água ou 3 gotas de iodo por litro de água, entre outros.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Docente do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Federal do Acre – UFAC. Coordenadora Operacional do Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

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