Transtorno explosivo intermitente ou “pavio curto”

O Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) é um transtono psiquiátrico, em que nos momentos de raiva, a pessoa não consegue conter seu comportamento e acaba perdendo o controle: ela destrói objetos, ataca fisicamente as pessoas, bera, xinga, ameaça. Por não conseguir resistir aos seus impulsos agressivos o portador do TEI, geralmente é descrito como uma pessoa que tem o “pavio curto”. 

Contudo, seus ataques de agressividade não são premeditados, o que faz com que tais pessoas, se sintam responsáveis por seus atos, demonstrando após o comportamento explosivo, dentre outros sentimentos, arrependimento, vergonha,  culpa e tristeza.

Barreto e colaboradores (2009) asseveram que esse transtorno pode ter várias conseqüências e dentre elas, perda do emprego, suspensão escolar, divórcio, dificuldades com relacionamentos interpessoais, acidentes (por ex., com veículos), hospitalização (por ex., em virtude de ferimentos sofridos em lutas, socos nas paredes, quebra de vidros, etc.) ou envolvimentos policiais.

É importante lembrar que o quadro pode se tornar mais grave quando a pessoa ingere bebidas alcoólicas, mesmo que seja em pequena quantidade.

No entender da maioria dos autores consultados o TEI, aparentemente é raro, podendo aparecer no período que vai da adolescência à terceira década de vida, sendo que o seu início pode ser súbito e sem um período prodrômico (sintoma que antecede uma doença).

CARACTERÍSTICAS
Os acontecimentos provocadores e as contingências associadas aos comportamentos passam muitas vezes sem serem percebidos pela observação direta, sendo que geralmente, conforme afirma Barreto e colaboradores (2009), a estimulação aversiva (mal-estar, desconforto, forte tensão na cabeça, dores musculares, entre outras) precede às explosões. O reforço negativo é produzido quando ocorre a resposta de fuga destes estados internos aversivos e, nesse caso, a própria conduta (explosão), é o reforço.

A recomendação dos especialistas é de que ao se pesquisar a natureza de uma agressão real ou de atos agressivos, o médico deve organizar uma avaliação sistematizada, no sentido de se encontrar elementos que possam melhor caracterizar tais acontecimentos.

De acordo com Vargas (2008), as principais características do TEI compreendem as seguintes situações:

a) Geralmente, na família há pessoas que apresentam o mesmo problema.
b) Apesar de não premeditar, depois desses ataques percebe que exagerou nas atitudes e sente vergonha, culpa e arrependimento.
c) Apesar desses comportamentos, o portador do transtorno não tem problemas sérios com a Justiça.
d) Seus ataques de raiva nada têm a ver com o uso de álcool ou de drogas.

DIAGNÓSTICO
O diagnóstico de TEI segundo Lahr (2011), somente deve ser feito após uma avaliação médica e psicológica abrangente, a qual normalmente pode incluir alguns dos itens abaixo descritos:
* A freqüência na perda de controle sobre a agressividade (último ano, último mês) e, ainda se são superiores a duas vezes por semana;
* Se os ataques de agressivi-dade são desproporcionais ao fato que o gerou;
* Se os ataques explosivos são premeditados (não pode haver premeditação);
* Se os sentimentos acerca das explosões produzem vergonha, culpa, arrependimento, tristeza, choro etc. (experimentados após os ataques);
* Se a família possui outros membros com o mesmo comportamento;
* Se os episódios de agressi-vidade incluem ataques físicos e destruição de objetos e/ou pro-priedades;
* Se os ataques de agressi-vidade são repentinos (esse é o comportamento habitual nos portadores de TEI);
* Se o comportamento agressivo é acompanhado por sensações físicas de fadiga, forte tensão, formigamento, tremores, palpitações, aperto no peito,  tensão nas costas, pressão na cabeça, pensamentos raivosos que os levam a fortes impulsos de agir agressivamente. (os portadores de TEI revelam: “necessidade de atacar”, “necessidade de ferir”, “pico de adrenalina”, “sangue nos olhos”, ou “vontade de matar alguém” e alívio da tensão após o ato agressivo).

TRATAMENTO
Como uma forma de reduzir a intensidade e freqüência dos episódios violentos, devolvendo assim, uma vida de melhor qualidade a esses indivíduos, comu-mente, adotam-se o tratamento médico e psicológico.
No que diz respeito ao tratamento psicológico Lahr (2008), comenta que as terapias cognitivo-comportamental e cognitivo-construtivista, são as que demonstram maiores efeitos ao reduzir a os níveis de intensidade e freqüência dos episódios violentos, através da reestruturação das distorções cognitivas apresentadas por esses indivíduos.

A intervenção conforme comenta Barreto e colaboradores (2009), baseia-se em protocolos que abordam o controle da Raiva e da An-siedade em outros transtornos específicos que também apresentam como um dos sintomas o comportamento agressivo/impulsivo.

Quanto ao tratamento medica-mentoso, os autores consultados indicam que existem estratégias farmacológicas, envolvendo medicamentos com características de estabilizadores de humor ou de antidepressivos.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Docente do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Federal do Acre – UFAC. Coordenadora Operacional do Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

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