Inpe registra 97 grandes focos de queimadas no mês e sobrevôos locais acham100 pontos

O monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espacial (Inpe) revelou que o Acre teve 97 focos de calor (grandes queimadas) nos 23 primeiros dias de julho. Quinari (28) e Capixaba (18) concentraram o maior número de focos. Rio Branco computou apenas 6 ocorrências. Comparando com o mesmo mês (inteiro) do ano passado, julho deste ano já leva uma ‘infeliz’ vantagem de 44,77% (30 focos) na conta das queimadas de maior extensão.
Queimadas27
No âmbito geral dos pequenos, médios e grandes incên-dios, a preocupação não é diferente! Dois dias de sobrevôo nas regiões do baixo Acre e Purus e técnicos do Instituto de Meio Ambiente (Imac) identificaram mais de 100 pontos de queimadas e desmates em propriedades rurais e na área urbana. Foram 58 pontos localizados na quarta (20) e 49 na quinta (21). São os primeiros dados de visualização aérea colhidos desde o lançamento do Plano Integrado de Prevenção, Controle e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais do Acre, na segunda, 18. O documento reúne mais de 30 órgãos e instituições na execução de medidas conjuntas com o objetivo de mitigar o impacto causado pela ação do fogo durante o período mais seco do ano.

Plácido de Castro e Capixaba, onde foi localizado o maior foco de queimada com abrangência de 25 hectares dentro do Pólo Agroflorestal do município, são as áreas que apresentam o maior número de queimadas até agora. Outros pontos de queimada e desmate foram visualizadas também em Senador Guiomard, Acrelândia, Manoel Urbano, Sena Madureira, Porto Acre e Rio Branco. A operação de monitoramento aéreo deverá fazer 12 sobrevôos até setembro e na próxima semana será realizada em Tarauacá e na região do Vale do Juruá, única em que a queima ainda está permitida (em área de no máximo 1 hectare) desde que o proprietário obtenha o licenciamento do Imac para este fim. Por determinação do Ministério Público do Estado (MPE) a partir de 2012 não será permitido queimar em nenhuma região do Estado.

Os dados obtidos a partir do monitoramento aéreo são remetidos para a Divisão de Geoprocessamento do órgão, responsável pela elaboração de cartas-imagem encaminhadas para a controladoria ambiental que executa os trâmites legais, como multas e autos de infração. Com informações sobre a localização das áreas atingidas, a Divisão de Atividades do Uso do Solo compõe a equipe terrestre enviando técnicos para apurar a origem do fogo, os indícios de desmates, queimas e brocas e o detalhamento da situação. Os casos são analisados individualmente. O ar seco, vento e a queda na temperatura verificadas nos últimos dias deixaram as equipes em alerta, caso seja necessário aplicar as medidas do Plano Integrado.

Pelotão Florestal e Corpo de Bombeiros só são acionados quando técnicos identificam incêndio de grandes proporções. “Fogo de grande magnitude, que pode atingir vários lotes e que entra pela floresta, é comunicado à fiscalização. Neste momento começa a aplicação do plano. Em áreas isoladas, algumas de difícil acesso, não temos como agir”, explica o coordenador da Divisão de Atividades do Uso do Solo, Ivo Sena, que lembra à população da área urbana e os proprietários de lotes rurais que a umidade está baixando propiciando maior risco de incêndios florestais.  No caso das queimadas urbanas, as secretarias municipais de Meio Ambiente são acionadas.

Os sobrevoos realizados pelo Imac servem como diagnóstico deste primeiro momento e servem para levantar dados que servirão de parâmetro para os próximos meses. “Nosso papel é localizar quem promovem o fogo, desmatou sem autorização, para aplicar medidas administrativas”, diz Ivo Sena. Estas medidas vão desde o embargo da propriedade e aplicação de multas que variam de R$ 1 mil por hectare em áreas de conversão e R$ 5 mil por hectare, em área de reserva. Ele afirma, no entanto, que não este não é considerado um período de catástrofe como o verificado em 2005, ano usado como referência para ações de prevenção e combate ao fogo.

Educação e alternativas ao uso do fogo
Com 153.149 mil km² de extensão, o Acre tem 87% de suas florestas preservadas, o que torna o trabalho de prevenção e controle de queimadas mais delicado. Ações de educação e conscientização ambiental são desenvolvidas ao longo do ano com reforço no início do período de estiagem, principalmente nas regiões que abrangem os municípios onde os índices de ocorrência de desmate e queima são mais expressivos como o Baixo e Alto Acre e Purus. Programas que propõem alternativas ao uso do fogo são desenvolvidos e aplicados em trabalho de parceria entre secreta-rias que respondem pela área de produção do Estado e apresentados aos produtores que recebem assistência técnica e orientação em todas as etapas.

“A orientação do governador Tião Viana é a de que  o órgão ambiental seja parceiro do homem do campo orientando a forma correta de produzir sem causar danos ao meio ambiente, seja na pecuária, na agricultura, no manejo da madeira, do peixe. Por isso, as equipes de campo analisam caso a caso os pontos de queimadas. Não queremos cometer injustiças, mas não podemos deixar que o Acre viva uma situação como a que presenciamos em 2005”, esclarece Fernando Lima, presidente do Imac.

Queimadas afetam saúde da população – Aumento da temperatura, estiagem da chuvas, diminuem a umidade relativa deixando o ar e a vegetação secos facilitando a incidência de queimadas descontroladas. O perigo não é só para o meio ambiente. A saúde da população é afetada diretamente pelo fenômeno. Relatório elaborado pela Comissão Estadual de Gestão de Riscos Ambientais (CEGdRA) cita pesquisadores que apontam os prejuízos causados pela fumaça, especialmente nas áreas urbanas.

A queima de 1 quilo de folhas, galhos ou lixo durante 10 minutos, por exemplo, pode causar problemas respiratórios e de pele em pessoas que estejam a pelo menos 500 metros do foco da queimada. Se o material é inorgânico como plástico, vinil, corante, embalagens sintéticas o risco é ainda maior podendo causar doenças graves como câncer. Crianças e idosos são os mais atingidos pelas fumaças das queimadas urbanas. “As pessoas precisam se conscientizar de que aquele velho hábito que queimar folhas no fundo do quintal é prejudicial e está proibido. Todos têm que colaborar e falar com o parente, o vizinho para evitar essa prática”, orienta o presidente do Imac. O órgão dispõe de um número de telefone para receber denúncias: 9985-7660.

 

Assuntos desta notícia


Join the Conversation