Aleac aprova empréstimo do governo de R$ 685 milhões junto ao BNDES

Uma equipe do Governo do Estado apresentou, ontem, aos deputados estaduais o plano de investimento dos recursos que virão BNDES. A exposição foi coordenada pelo diretor-geral do Deracre Marcos Alexandre, para a apreciação e autorização da Casa Parlamentar para a operação de crédito de R$ 685 milhões. Os secretá-rios Mauro Ribeiro, Edvaldo Magalhães, Gildo Cesar e Márcia Regina também participaram dos esclarecimentos sobre o destino dos recursos.
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Marcos Alexandre revelou que a estratégia governamental de investimento entre 2011 e 2014 será na ordem de R$ 2,4 bilhões oriunda de várias fontes financeiras. Esse valor contempla tanto os recursos obtidos por empréstimos junto a organismos financeiros nacionais e internacionais quanto às verbas dos repasses federais. “A parceria com o BNDES firmada durante mais de uma década viabilizou a operação de crédito apresentado pelo setor público. A equipe técnica do Banco faz uma análise para poder aprovar o plano foi apresentado em março pela equipe de Governo”, disse Alexandre.

Infra-Estrutura
Segundo o diretor do Deracre parte substancial dos recursos será utilizada na pavimentação de ruas acompanhada com água e esgoto. “Estão previstas importantes ligações de trânsito e trabalhos em rodovias estaduais integradas com as áreas de produção. Construção de casas, produção rural e familiar com o fortalecimento da produção agrícola, investimento na agroindústria e no ecoturismo”, revelou Marcos Alexandre.

Somente na etapa do Programa Ruas do Povo serão investidos R$ 334,2 milhões para pavimentação e saneamento básico. “Faremos 655 quilômetros de ruas nos 22 municípios do Acre. Haverá a duplicação do último trecho da Antônio da Rocha Viana, além da pavimentação da AC-445 que possui intenso fluxo de escoamento de produtos. A AC-90 também será pavimentada e serão feitos bueiros e pontes nos ramais do Estado. Estão previstas a urbanização do Bairro do Remanso, em Cruzeiro do Sul e duas passarelas sobre o Rio Acre. Serão construídas 12,4 mil novas casas numa proposta de R$ 700 milhões em habitação na Capital e no interior do Acre. O projeto de ecoturismo prevê a revitalização do Igarapé Preto, em Cruzeiro do Sul e da Lagoa do Quinoá, além da Implantação da escola de gastronomia e hospitalidade na Capital”, discursou Alexandre.

Setor produtivo
Os secretários de Agropecuária, Mauro Ribeiro e, de Indústria e Comércio, Edvaldo Magalhães, ressaltaram os investimentos na produção do Estado. Serão instaladas cinco indústrias artesanais de processamento de pescado, 10 abatedouros, uma central de incubação no Juruá e silos para armazenamento agrícola. “Mesmo os investimentos das obras infra-estrutura tem um olhar da retomada de toda a cadeia produtiva como o Ruas do Povo que vai beneficiar as olarias e 30% das obras serão destinadas a pequenas empresas de construção civil”, afirmou Ribeiro.
Já Edvaldo Magalhães destacou a criação do Núcleo de Tecnológico da Piscicultura de Cruzeiro do Sul e o Complexo de Frigorifico de Peixes, no Quinari. “O Acre terá condições de dar o salto que estamos projetando em dois anos para uma produção de 20 mil toneladas de pescado por ano. Frigorifico de Suínos de Brasiléia, implantação de pólos industriais nos Vales do Acre, Purus e Tarauacá-Envira. Construção da fábrica de fécula de mandioca e a implantação de uma usina oleoquímica para óleos vegetais para fazer o processamento de matéria-prima para a indústria de cosméticos em Cruzeiro do Sul e o fortalecimento do setor moveleiro poderão fazer a transformação que o Estado espera”, salientou Magalhães. 

Reação dos parlamentares
Como esperado os deputados da base governista aprovaram os investimentos e, alguns oposicionistas questionaram o empréstimo. “Estamos fazendo um debate claro e transparente na Casa responsável pela autorização desse projeto. A oposição está no seu papel de questionar, colocar desconfiança e temos que esclarecer. Mas se olharmos para o Brasil, inclusive, para os estados governados pela oposição vamos comprovar que querem que mudem as suas dívidas para poderem contrair mais empréstimos. O debate é ter maior capacidade de endividamento e nós estamos numa situação vantajosa no Acre e poderemos fazer os investimento para fortalecer a nossa economia”, disse Edvaldo.

Para o deputado Ney Amorim (PT) os oposicionistas que votaram contra o empréstimo deram um tiro no pé. “O Governo quer trabalhar e temos vários programas como o Ruas do Povo que estará levando pavimentação para quem não tem. Paralelamente o Depasa levará água tratada e rede de esgoto. Quem vota contra um projeto desse está contra a população do Estado. O empréstimo é para ajudar quem mais precisa. O governador Tião Via-na (PT) está com esse foco de ajudar a periferia das cidades e melhorar a capacidade de produção do Estado”, defendeu.

Antonia Sales (PMDB) ponderou sobre o empréstimo. “Pode melhorar a infra-estrutura do Juruá se for observada a característica de produção de cada município que possuem realidades distintas. Se for para revitalizar o cartão postal de Cruzeiro do Sul que é o Igarapé Preto vou apoiar. Se o Governo vai fazer a população só tem a ganhar. É importante dar uma nova cara a essa região que está sofrendo com o assoreamento do igarapé”, disse ela.

Para o deputado major Rocha (PSDB), o empréstimo aumenta a dívida do Estado. “Nos últimos cinco anos a nossa dívida passou R$ 1,4 bilhão, a maior da Região Norte. Ainda não vimos o retorno positivo de todos esses empréstimos. Muita coisa na prática não funciona como aconteceu em Brasiléia com o abatedouro de aves em que o povo está trabalhando de graça para uma empresa que veio de fora. A Alcoobras, mesmo com redução da carga de impostos, ainda não produziu o que se espera. Isso é muito perigoso por isso votei contrário ao empréstimo”, afirmou.

O líder do governo, Moisés Diniz (PCdoB) argumentou: “pela primeira vez vamos fazer um empréstimo para investir na produção. O STF proibiu queimadas na região de Tarauacá então temos que investir pesado em mecanização. Serão investidos R$ 50 milhões nesse setor. Além da infra-estrutura e a tecnologia. Por isso, é importante que todos os parlamentares apoiem a iniciativa do Governo”, finalizou.       
      

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