Senadores articulam bancada pró-faxina de Dilma

Um grupo de senadores da base aliada começou um movimento para apoiar a presidenta Dilma Rousseff em sua decisão de fazer uma ‘faxina’ nos Transportes e em qualquer setor onde haja denúncias de corrupção.

Desde que o Planalto identificou a existência de aumentos excessivos nos preços das obras de infra-estrutura e a revista Veja denunciou que o PR cobrava propina de até 5% nos empreendimentos tocados pelo Ministério dos Transportes, 16 funcionários já foram demitidos. Outro já avisou que vai pedir demissão nos próximos dias. Os afastamentos incluíram vários servidores do Dnit, da Valec e até o então ministro do Transportes Alfredo Nascimento.

O grupo que propõe a bancada pró-faxina, capitaneado pelo senador Cristovam Buarque (PDT/DF), pertence à base governista, mas imagina ampliá-lo até a oposição. Os oposicionistas, no entanto, insistem que o importante é investigar tudo e abrir logo a CPI dos Transportes, hoje com 23 das 27 assinaturas necessárias para sua criação.

Alvo principal da faxina, o PR preferiu não polemizar. O líder do partido na Câmara, Lincoln Portela, diz ‘parabenizar’ a iniciativa, mas lembra que não há provas contra os acusados e insiste ser necessário dar o direito à ampla defesa dos suspeitos. E apela para não ficar sozinho: segundo ele, há um ‘problema’ semelhante acontece agora na ANP.

Na sexta passada (22), Cristovam Buarque conseguiu o apoio de 12 senadores em favor da ‘faxina’ de Dilma. Ele cita entre os signatários integrantes do PMDB e do PDT e, até agora, nenhum do PT foi contatado pelo grupo. “Cada um deles está disposto a fazer discursos e manifestar que a presidente está no caminho certo. O objetivo é desarmar a ameaça dos que são contra retaliar a presidenta”, contou ele.

Para Cristóvam, Dilma age de acordo com o sentimento da população e na medida certa, apesar da queixa dos demitidos de que não seria necessário afastar tantas pessoas. “Não tem mais nenhum nome. Não existe exagero. Onde tem corrupção, tem que tirar”, afirmou.

Então por que Dilma não só manteve, como efetivou o ministro Paulo Sérgios Passos, no comando da pasta, apesar de haver aumentos nos aditivos de 154% em sua última gestão? “Eu acho que essas suspeitas não se confirmaram. Não houve, ainda, denúncia mais concreta”, resopondeu. Cristóvam crê que Dilma faz o máximo que pode: demitir e deixar a investigação para a PF e o MP. (Congresso em Foco)

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