O cúmulo do bullying

Sabe quando você descobre que há algo errado com o mundo? É quando você abre o jornal e se depara com notícias assim: ‘Mãe contrata segurança pra levar o filho à escola’. Com todo respeito aos seguranças (não querendo reduzir seus campos de atuação), mas há de ser dito que uma situação desta natureza é tão absurda que chega até a beirar o ridículo. Um caso grave de bullying escolar acontecendo bem nas ‘fuças’ de educadores apáticos em resolvê-lo!

Onde é que já se viu um rapaz comum de 15 anos, numa cidade com seus 330 e pouco mil habitantes, precisar de escolta particular só para ir à escola? Ora, nem filho de celebridade Global do Rio de Janeiro tem zelo parecido. Isso é inaceitável!

Mas o pior não pára só no fato principal. Ao correr os olhos pela matéria, o drama deste aluno é ainda mais grave,  por incrível que pareça. O rapaz estava sendo ameaçado por ‘deliqüentes’ da tal escola (Padre Carlos Casavechia) em represália por ter delatado o consumo de drogas dentro do lugar. E mais: ele foi agredido pelos drogados 4 vezes, 3 delas, inclusive, dentro do próprio colégio.
Então, caro leitor, o que isto nos ensina? Que ser direito e denunciar é o mesmo que ter o braço quebrado por causa de vingança de marginal! Será possível que é este o tipo de lição que vamos tirar desta situação?

Ora, até onde se estende a educação que me foi dada, a escola é lugar de aprendizado, e não ponto de droga. Se há alunos fazendo de lá uma ‘bocada’, que eles sejam, sim, denunciados e recebam a devida punição. Que sejam entregues aos cuidados à Assistência Social e sofram correções sócio-educativas. Que devolvam, assim, a paz ao lugar que ela nunca deveria ter deixado.

Para fechar esta absurdo com chave de ouro, nada ‘melhor’ (PIOR) do que a desculpa esfarrapada dada pela direção da escola. ‘Não conseguimos evitar as 3 primeiras agressões. Mas a 4ª delas não é da nossa responsabilidade porque aconteceu na rua, fora da escola’. Afinal de contas, qual é o problema desse lugar? Então quer dizer que o bem-estar dos alunos acaba quando eles passam pelos portões? Se matassem o rapaz ali na frente ninguém faria nada?

Esta não é a postura adequada de uma instituição de ensino. Tal caso precisa ser revisto e os agressores deste rapaz têm de pagar pelo que fizeram. A escola precisa entrar com tudo para acabar com isso ou o destino deste rapaz será trágico! 

*Tiago Martinello é jornalista.
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