Um grande Nada

As definições são um dos maiores males da inteligência humana. Para objetos, podem até ser simplificadoras. Mas pra seres vivos, gente como eu e você, leitor, não passam de palavras limitadoras. Instrumentos de manipulação! Algumas pessoas me acusam de ser ‘isso’. Outras de ser ‘aquilo’. Mas a verdade é que, para todos os efeitos, a melhor definição que se encaixa é a de que sou, simplesmente, um grande ‘Nada’. 

As coisas que faço, as lutas que empunho, os sonhos que idealizo e as idéias que acredito não fazem de mim ‘isso’ ou ‘aquilo’. Aquilo que tenho, as vitórias que conquisto e muito menos os textos que escrevo são capazes de me tornar qualquer coisa. E o problema nisso tudo é que, ainda para muitos, encarar a vida desta perpespectiva – do ‘Nada’- é difícil. 

Na vã tentativa do homem de dominar todos os tipos de conhecimento (tá bom, e de querer ‘aparecer’ um muitinho também!), o que não falta por aí é gente se auto-intulando com o maior número de nomes bonitos possíveis. Socialista, capitalista, humanista, altruísta, anarquista, ambientalista, ativista, sindicalista. Revolucionário, reacionário, empresário, funcionário, temerário. Religioso, Ponderoso, melindroso, poderoso. Crítico, místico, cético, caótico. Criador, orador, gestor, benfeitor, ditador … Enfim, adjetivos são que não faltam!     

No nosso querido Acre, então, é de praxe para a grande maioria especificar se você é um ‘governista’ ou um ‘do contra’. De fato, aos olhos da sociedade, do mundo encantado da política, responder a tal pergunta resume tudo sobre você. Sobre a sua existência. Se você é ‘governista’, não dá trela para ‘resmungões’ (que não sabem de nada e vão destruir o mundo). Se você é ‘do contra’, tudo (certo ou errado) é motivo para críticas (sempre destrutivas). Nada mais da sua vivência, da complexidade do seu Ser, importa mais quando se um ou outro!

 E é por estas e outras mentalidades que o acreano, muitas vezes, deixa de crescer. Deixa de se abrir para o futuro, se apegando a ideários retrógrados. Coisa de um ‘povo matuto’. Ora, a história ensina bem que priorizar definições é pensar sob extremos. E o mundo já passou desta fase do extremismo – até mesmo na política – há décadas, desde a Guerra Fria (1950-1991). Não dá pra acreditar que possamos estar 32 anos atrasados com o resto do planeta!  

Portanto, meu caro leitor, cabe a você decidir agora: é melhor ser um fanático preso a um ‘Tudo’ de conceitos vazios, ou ser simplesmente um ‘Nada’ livre pra vislumbrar o novo?

*Tiago Martinello é jornalista.
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