A democracia real

Ser democrata é uma atitude e não uma figura de retórica. Tem gente que anda desgastando o significado da palavra através de comportamentos ditato-riais justificados pelo conceito distorcido de democracia. Não existe democracia sem contradição. Querer passar por cima dos adversários políticos como um trator não é democrático. A democracia só expande-se através do respeito ao contraditório. Além disso, é preciso colocar os interesses coletivos acima dos pessoais para desempenhar um papel democrático.

Democracia não é apenas eleição. Tenho visto o comportamento de alguns parlamentares acreanos que parece que utilizam os seus mandatos apenas para fins eleitorais. Mal acabaram de se eleger e já se projetam a novos cargos e ambiciosos projetos políticos sem nem ainda terem cumprido o papel que se propuseram com os seus eleitores. Priorizam a guerra contra os seus adversários sem se preocuparem com o que podem produzir de positivo à sociedade do Estado. É uma pena!

É preciso ter responsabilidade para exercer um mandato eletivo. Vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores são representantes da população. Fis-calizadores dos bens públicos e porta-vozes das aspirações populares. O Brasil tem eleições a cada dois anos e, quando começam as campanhas é natural que o clima político esquente. Mas nos períodos intercalados aos eleitorais é preciso apresentar produção para justificar um mandato.

Infelizmente temos assistido uma antecipação exagerada no Acre do clima eleitoral. Considero o fato um perigo para o desenvolvimento social do Estado. Parece que esqueceram que o objeto principal da política são as pessoas e as comunidades. Quando um deputado ou senador vota contra um projeto que irá beneficiar milhares de pessoas apenas pelo fato de ser contra uma determinada gestão política as coisas começam a ficar perigosas. Por outro lado, também é condenável um gestor discriminar uma determinada administração por motivações políticas eleitorais.  

O caminho democrático é o mais aconselhável para que haja um equilíbrio produtivo entre os períodos eleitorais e não eleitorais. Não é possível se manter em cima do palanque o tempo todo porque quem sofre é a população. Nunca é demais lembrar que a democracia brasileira ainda está em fase de consolidação. Assim se aqueles que foram eleitos para trabalharem para os mais desfavorecidos se concentrarem às suas atribuições poderemos dormir tranqüilos na certeza de que as transformações sociais acontecerão naturalmente. Sem o perigo de vivermos novamente o pesadelo dos “Anos de Chumbo” da Ditadura Militar que alguns parecem já ter esquecido.

* Nelson Liano é jornalista
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