Futebol acreano e uma nova realidade

Há pouco tempo, mais precisamente em 2009, tínhamos mal o Campeonato Estadual Acreano Profissional e a série C. O que se ouvia comumente nas ruas era: “um Estado que só tem quatro meses de futebol, não pode considerar que tem futebol”. Frase comum.

Agora, pouco mais de dois anos, temos o Estadual Acreano da Primeira e Segunda divisão, temos seletiva do Futebol Feminino, categorias de base, representantes na série C (Rio Branco FC) e a série D (Plácido de Castro, já tivemos também o Náuas em 2010), enfim uma programação extensiva para quem gosta de futebol no Acre, principalmente na Capital, local dos jogos.

É nesse instante que falo que a humanidade, em especial o Brasileiro e mais ainda o acreano gostam é de reclamar, achincalhar, deturpar e mais alguns nomes impublicáveis, pelo bel prazer de falar mal, mesmo que seja dele próprio.

Nesse momento em que o futebol acreano passa por uma de seus melhores momentos, motivando a Federação de Futebol do Acre – cito Antônio Aquino – a repetir a festa para os melhores do Estadual, os mesmos (tenho certeza, pois minha memória nesses casos é ótima) trocam as frases, mas mantém o negativismo: “para que tanto futebol? Para que isso? Não temos futebol nem para três meses”.

Sim, o futebol acreano agora precisa investir nas catego-rias de base, trazer administradores em futebol para as competições nacionais, promover um marketing para que mais torcidas organizadas – um mal necessário em qualquer estado – surjam, ou seja, é preciso trabalhar a geração que virá em alguns anos.

Se tenho certeza que o futebol acreano tem capacidade de chegar na série B? Sim, tenho. Se não for este ano, será no outro ou no outro, ou… Aqui, seja no estádio Arena da Floresta, Arena do Juruá ou no Florestão, precisamos transformar nossos estádios em um verdadeiro la Bombonera. Nossos adversários devem sentir que aqui existe uma torcida apaixonada, fanática por nossa terra.

Sim, nós somos brigões, os acreanos. Se não fosse isso, não teríamos criado a República Independente de Galvez, não provocaríamos um país inteiro para decidir que a nacionalidade que queríamos era a brasileira. Então, cada jogador que chegou agora para o Rio Branco ou para o Plácido de Castro tem que ter a noção exata que somos guerreiros, que não desistem nunca – frase criada a partir da vida de uma professora que é acreana de coração, a Maria José – e exemplo para todo o resto de um país.

Agora mudando de assunto, sabemos bem que para quem trabalha e vive o esporte – o que é um pouco o que faço – sabe que são vários os abnegados que vivem o futebol e outros esportes, fazendo um trabalho voluntário, apesar de ter aproveitadores no meio. Umas frentes, inclusive no Governo, apesar de toda a ajuda que os dois últimos governos, e o atual, contribuem para o futebol e o esporte, acreditam que é dinheiro jogado fora. Afinal tudo que não é para inaugurar, asfaltar ou “negociar”, é dinheiro perdido.

O esporte, a exemplo da cultura, precisam de mais investimentos. A base precisa ser valorizada, as competições também e, muito mais, aqueles que chegaram ao auge de suas modalidades, pois são eles que servem de exemplo para quem está iniciando, haver uma valorizada. Um país sem história, uma sociedade sem cultura e esporte, sem valor ético e moral, não tem perspectiva de um futuro.

Ramiro Marcelo é jornalista.
e-mail: [email protected]
twitter: @ramiroacreano

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