Os novos e os velhos estádios

Cheiro de “espeto de gato” assando na brasa, enquanto a fumaça invade todos os espaços, atraindo os hipnotizados fo-minhas. Poucos me-tros separavam do carrinho da “Dona Maria”, com seus famosos quibes de arroz e macaxeira. Isso ao lado da banca de água, refrigerante e cerveja do Chicão. Eram alguns dos “atrativos” do Estádio José de Melo.

Andar nas tábuas comprometidas de suas arquibancadas era uma aventura nos finais de semana, principalmente nos dias de jogo com clássicos – tipo Andirá e São Francisco -, onde todos preferiam ficar no lado da madeira, oposto a entrada do estádio. Mais precisamente no grupo Tesouras do Vietnã, as línguas mais felinas do futebol acreano, mas que acabaram perdidos no tempo, pois não mais habitam os novos estádios, pelo menos não com a mesma empolgação.

A entrada era apenas para quem tinha vergonha de pular o muro, agora situado mais uma agência do Banco do Brasil, ou na “arquibancada”, situada no quintal do Bruno Couro Velho. Diga-se de passagem local privilegiado, com vista panorâmica para o estádio, sem pagar um centavo e podendo xingar a vontade.

O campo foi abandonado, pelo menos para competições oficiais. As arquibancadas não oferecem qualquer segurança para as pessoas que ainda se aventuram nelas para assistir aos treinos do Rio Branco, mesmo assim guarda belas lembranças. Época que a maior alegria era ficar no alambrado, pois, segundo muitos torcedores, a arquibancada era para “mauricinho”.

Mas ao mesmo tempo tinha esse calor humano, era motivo de chacota das equipes adversárias que vinham jogar em competições nacionais. Campo precário, vestiários meio depredado, aroma de urina, quente como uma sauna, pouca ou quase nenhuma segurança. Assim era descrito, principalmente pelos paraenses.

Agora vivemos uma nova realidade, motivo de elogios de praticamente todos aqueles que veem para jogos oficiais de competições nacionais. Muitos jogadores e dirigentes fazem questão de elogiar, bater foto e registrar o estádio Arena da Floresta, a exemplo do que ocorreu quando alguns clubes grandes (Santos/SP, Fluminense/RJ e Botafogo/RJ) foram treinar no estádio Florestão.

Temos três belos estádios no Estado, cada um motivo de orgulho para quem viveu o tempo do “velho guar-dião”, o estádio José de Melo. Não ficamos devendo para nenhum estádio da região Norte ou mesmo de fora da nossa regional. Temos carência, precisamos melhorar? Claro que sim e agora começa o trabalho do Governo em atender as exigências do Estatuto do Torcedor, mas volto a ressaltar: nossos estádios são motivo de orgulho.

Ramiro Marcelo é jornalista.
e-mail: [email protected]
twitter: @ramiroacreano

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