Casar para quê?

Uma ouvinte de longas datas, médica, me encontrou no facebook, uma rede social da internet, e foi logo anunciando que estava de volta à Rio Branco para se casar.        

Ela vai se casar com uma pessoa muito querida por mim, uma professora, grande mestre e grande artista, pessoa ímpar. A união deve ser compartilhada com poucos e bons amigos assim que as questões burocráticas estiverem resolvidas.

Parabéns meninas!
Se a união estável entre vocês é muito importante e se dela depende a felicidade de vocês, casem. Se for só para garantir os direitos civis, nem precisa, a decisão do Supremo Tribunal Federal já dá essas garantias.

Agora, se for só para querer ser iguais aos heterossexuais que fazem juras de amor no altar, se comprometem em ser fiel até que a morte os separe, que vão ficar juntos na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, esqueçam!

Casar hoje em dia (e antigamente também!) não é garantia de felicidade.

Muitos guardam em seus peitos mágoas e frustrações por abrirem mão de seus sonhos em nome do parceiro. Outros perderam sua própria identidade, seu brilho, sua força e vivem com um olhar sombrio, feito zumbis.

Conheço uma porção de gente que nunca assinou um papel e se relaciona entre tapas e beijos e vão vivendo o amor, cheio de altos e baixos, com muito bom humor.

O casamento oficial é bonito na foto, na festa, na sociedade. Na prática, o papel impõe a obrigação de dar exclusividade ou de ter a posse da pessoa como se o ser humano fosse um objeto que se compra numa loja, com nota fiscal, e isso mata o bom relacionamento, mata o amor, mata o tesão. Acredito até que o fato de muitas vezes “não poder casar” é o que apimenta a relação que se transforma num romance Shakespeariano.

Tenho certeza que esse artigo vai desencadear várias discussões. A intenção é essa mesma. Até porque, os amores impossíveis são os mais ardentes. Duvidam? Perguntem aos que estão casados há dois, três, cinco, dez, vinte anos ou mais!

Afinal, casar para quê? Se podemos viver ao lado de quem amamos sem o tal papel? Casar para quê? Se nosso companheiro(a) terá os mesmos direitos sobre nossos bens quando quiser partir? Casar para quê? Se podemos ter filhos ou adotar e sermos uma família?

Casamento não é garantia de felicidade. Não é garantia de união, de paz e, às vezes, não é garantia nem de companheirismo! Palavra de quem já foi casada!
Como diz a canção de Raul Seixas sobre o casamento, – Medo da chuva –, “Como as pedras imóveis na praia/ Eu fico ao seu lado sem saber/ Dos amores que a vida me trouxe/ E eu não pude viver(…) Porque quando eu jurei meu amor/Eu traí a mim mesmo, hoje eu sei/ Que ninguém nesse mundo/ É feliz tendo amado uma vez… Uma vez”…
 
Eliane Sinhasique é jornalista, radialista e publicitária
Twitter: @sinhasique

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