Jordão: o apartheid é aqui!

Estranhamente as nações poderosas gastam milhões de dólares na tentativa de criar a vida, ou descobrir sua origem. Quando, o óbvio seria destinar tempo e recursos para  cuidarmos da vida que já temos aqui. Se é assim temos um fato irônico  em que a ciência devotada à solução de nossos problemas, se tenha tornado por sua vez um problema. A ciência nos deu a luz elétrica, o automóvel, os jatos, a televisão, o computador, a internet, etc., mas deu-nos, também, a bomba de hidrogênio e os mais sofisticados mísseis teleguiados que formam um fantástico arsenal beligerante.

A ciência já determinou quanto tempo à vida vai continuar existindo no nosso planeta e quando o nosso mundo vai acabar, des-truído pela expansão do Sol, daqui a bilhões de anos. O objetivo agora é determinar qual a duração do universo, ou seja, de tudo o que existe.

A observação mostra, com telescópios, que as galáxias contendo as estrelas e os planetas, estão se afastando uma das outras, como fragmentos de uma grande explosão.

Isso gerou, inclusive, a teoria do big-bang, segundo a qual o universo encontrava-se comprimido há 15 bilhões de anos e então explodiu. Os fragmentos da explosão formaram os planetas, as estrelas e as galáxias, enfim, tudo o que existe.

Ainda hoje o universo, dizem, continua em expansão. Quanto mais distante uma galáxia, mais rapidamente ela parece se afastar de nós. Mas os cientistas não sabem se essa expansão continuará para sempre ou se o universo começará a encolher até desabar sobre si mesmo, virando um imenso buraco negro. Tremenda balela!
Os EUA quebraram, principalmente, por despender milhões de dólares nessas pesquisas extraterrestres, que até aqui não deu em nada. Enquanto isso, notada-mente nos países emergentes, a fome avança de maneira inexorável. As desigualdades regionais em países que arrotam economia de 1º mundo, caso do Brasil, estão ai nos desafiando.

Caso típico dessa desigualdade é o Estado do Acre. Li em www.agazeta.net  (22.08.11) uma pesquisa que nos deixa, no mínimo, penalizados. “A grande maioria dos municípios possui estimativas muito altas de prevalência de desnutrição infantil, destacando-se o município de Jordão com as piores estimativas de prevalência de desnutrição segundo o indicador de déficit de estatura para idade (44,6%).

Uma pesquisa  da Universidade Federal do Acre (Ufac) e da Universidade de São Paulo (USP) analisou  a prevalência de anemia e fatores associados no município de Jordão, um dos mais pobres e isolados do Acre.

O resultado do estudo mostrou que a prevalência geral de anemia foi de 57,3%. Considerando-se a população de crianças com ascendência indígena residente na área urbana, a prevalência de anemia foi de 37,5%, valor que aumenta consideravelmente na zona rural, onde 64,3% das crianças com ascendência indígena eram anêmicas. “Meu Deus!”

O município de Jordão vive, na pele, o seu ou a sua apartheid particular. Para quem não sabe o termo apartheid é oriundo da África do Sul e significa literalmente “separação”. Como é do conhecimento geral  a África do Sul, de 1950 até o final de 199l, viveu um contexto de segregação racial. Assim na conjuntura ético-social o apartheid pode ser usado como referência, dizem os bons dicionários de ética, a qualquer separação percebida e moral de elementos, a ponto de um ser excluído em benefício do outro. Logo, nas relações sociais, a palavra denota separação de um grupo quanto a outro em favor de se enaltecer o status dos membros de um grupo as expensas dos outros  na sociedade.

Essa distinção na realidade social de Jordão, que pode ser intencional ou não-intencional, revela a ausência de programas de ação social que minimizem, em parte, as agruras dos filhos deste município, pois não há dúvidas que esses acreanos estão sendo vítimas de descaso por parte do poder público. 

O  Jordão, a exemplo de faculdades não lobistas, é um município isolado, separado de tudo e de todos. E pensar que os eleitores de Jordão contribuíram para eleger uns e outros políticos, destes que vivem a gastar nababescamente em farras nas praias do Nordeste, ou tomando vinhos caríssimos em churrascarias 5 estrelas de Brasília. Pobre Jordão!

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