Pressa assassina!

A pressa ou a correria não é só, como se dizia antigamente, inimiga da perfeição. No trânsito, a pressa é assassina. Pelo menos essa foi uma causa, dentre tantas, apontada por algumas testemunhas, para a morte brutal de Tereza Maciel acontecida, na manhã da pretérita 4ª feira, na saída do residencial Santo Afonso na BR-364. Por conseguinte, a  pressa, de todas as “virtudes” pessoais que nos acompanham nesse caos urbano, é  a causadora maior de que se morra e se mate, neste trânsito maluco.

 Em dias idos pesquisadores da Ufac e da Sesacre, revelaram dados assustadores atribuindo ao trânsito de Rio Branco, “como a maior causa de morte na Capital”. Entenda-se violência no trânsito, não trânsito violento, simplesmente. As bicicletas, segundo uma reportagem de um jornal local, “entram no gráfico como a segunda maior causadora de acidentes de trânsito com 29,7% , vindo a seguir as motocicletas, com 27,2%. Os campeões são ônibus e caminhões, que são os veículos  que possuem 35,7% de envolvimento nos acidentes”. Os carros de coleta de lixo; viaturas policiais e veículos de órgãos públicos estão quase sempre com muita pressa, também, já protagonizam muitos acidentes, que o diga a família daquele cidadão rondoniense. O inditoso teve sua vida ceifada, estupidamente por uma viatura policial, em frente ao Cine João Paulo, em dias passados.

Somada a pressa tem ainda a insensatez desmedida da maioria dos condutores dos quase 100 mil veículos que zanzam por ai, acarretando transtornos ao trânsito e que  podem ser facilmente detectadas no dia-a-dia da capital acreana: veículos estacionados em cima de calçadas; pais super protetores, que congestionam o trânsito em frente aos colégios; desrespeito ao sinal amarelo de atenção; veículos em alta velocidade nas principais avenidas; veículos na contramão; ultrapassagem pela direita; motos-táxi, às pencas, costurando de forma irresponsável em vias de difícil acesso. Por outro lado alguns cruzamentos, mesmo com as melhoras, não oferecem semáforos de três tempos, forçando o motorista, apressado, a exercitar, com perdão dos meus amigos baianos, umas e outras “baianadas”.

No caso específico do fatídico acontecimento reportado acima, vale dizer que além dessa pressa assassina, os moradores dos re-sidenciais Rosalinda, Santo Afonso e Jacarandá, que margeiam a BR-364, na entrada da cidade,  há muito tempo são reféns dessa armadilha que é sair de carro ou outro veí-culo, independente do destino. Os humildes cidadãos, que são muitos, vivem uma verdadeira agonia para atravessar a pista e tomar o ônibus no sentido Centro da cidade. Não há faixa de pedestre. Talvez por se tratar de rodovia. Assim sendo, que se construam  passarelas, pois ali mesmo onde a carreta colidiu com a moto, ceifando a vida de uma moradora do Jacarandá, já houve “n” acidentes, de morte, inclusive sem que medidas  reparadoras fossem tomadas.

 O poder público construiu por detrás dos residenciais  Sto. Afonso e Rosalinda cerca de 100 casas destinadas a famílias não tão carentes e denominou a comunidade como Conjunto Jacarandá; atualmente constrói via PAC, nas adjacências outras dezenas de casas populares. Ocorre que o acesso desses novos conjuntos populares é ou são as vias principais dos residenciais Santo Afonso e Rosalinda.

Antes da entrega das casas do Conjunto Jacarandá, a rua  principal do Santo Afonso  era piçarrada, as ruas transversais estão literalmente na lama. Creio que por força do contrato com a Caixa Econômica, essa via foi “asfaltada” com um tal de “asfalto frio”. Hoje, quem quiser pode vir constatar in loco, essa via que dá acesso aos novos conjuntos habitacionais, esta completamente esburacada. Dinheiro, não se sabe de quem, jogado no lixo por quem de direito. Trabalho malfeito, já que meteram “asfalto” numa rua sem meio-fios ou bueiros adequados, ou mesmo valas em que a água, notadamente das chuvas, pudessem escorrer sem comprometer a obra. Pressa irresponsável!

Outra coisa: a distância do Conjunto Jacarandá ao ponto de ônibus na BR-364 é, minimamente, de 1.500 metros, aproximadamente 30 minutos de caminhada a pé. Por lei, já que isto aqui não é ramal, deveria haver circulação, pelo menos de hora em hora, de ônibus de linha. Somos uma comunidade que luta para sobreviver dignamente. Aqui se constroem boas casas. Há escolas, faculdades, igrejas dos mais diferentes credos religiosos e bons comércios. Temos quietude, especialmente à noite, pois que não há puteiros por aqui. Precisamos que o poder público comece a nos olhar como gente.

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