Síndrome de Diógenes

A Síndrome de Diógenes é uma desordem do comportamento caracterizada pelo total abandono pessoal e social e pelo isolamento do indivíduo em seu próprio lugar. A doença foi batizada com o nome do filósofo grego do século IV a.C. Diógenes de Sínope, um gênio à altura de Sócrates e Platão. Ele foi exilado de sua cidade natal e se mudou para Atenas, onde teria se tornado um discípulo de Antístenes, antigo pupilo de Sócrates.

Posteriormente, Diógenes desistiu da vida comum para viver em pobreza dentro de um barril como um mendigo. Seu único bem era uma tigela que usava para beber líquido. Certo dia viu um menino beber água usando as mãos em forma de concha e jogou fora seu único bem.

Por acreditar que a virtude era melhor revelada na ação e não na teo-ria, sua vida consistiu-se em uma campanha incansável para desbancar as instituições e valores sociais do que ele entendia como uma sociedade corrupta.

Diógenes de Sínope preconizava uma vida austera e a renúncia a todo tipo de comodidade e, apesar de ter sido conselheiro de alguns reis, viveu e morreu na pobreza absoluta.

A Síndrome de Diógenes é conhecida como uma doença da terceira idade. Contudo, Berlyne (1975) e Snowdon (1987) afirmam que existem relatos da doença em adultos jovens.

Várias teorias são apontadas para classificar a síndrome. De acordo com matéria constante do site da www.mentalhelp.com, a primeira teoria seria “estágio final” de um transtorno de Personalidade; a segunda seria uma manifestação de Demência do Lobo Frontal; a terceira seria o estágio final do Colecionismo do TOC; e a quarta seria uma forma de Psicose cronificada na terceira idade.

SINTOMAS
A maioria dos autores consultados revela que os sintomas da síndrome de Diógenes compreendem:

– Isolamento social, agressividade, desconfiança, falta de crítica, irritabilidade e falta de motivação, comportamento paranóico;
– Reclusão em seu próprio lugar e abandono da higiene;
– Colecionismo com o acúmulo de grandes quantidades de sujeira e materiais inúteis em casa, a exemplo de garrafas, jornais velhos, roupas velhas.
Vale acrescentar que, esses indivíduos vivem voluntariamente em condições de pobreza extrema e tal como sugere Neves (2008) eles chegam a apresentar várias patologias, que vão desde anemias devido à negligência da alimentação e higiene, até eczemas e infecções na pele causadas por parasitas provenientes da sujidade.

CARACTERÍSTICAS
A doença normalmente afeta pessoas de idade avançada que vive sozinha, caracterizando-se pelo total abandono pessoal e social, e pelo isolamento voluntário em seu próprio lar, sendo que outros fatores que também intervém, a exemplo do stress causado pela idade, dificuldades econômicas ou até mesmo a morte de algum familiar.
A síndrome pode acometer pessoas de ambos os sexos e de qualquer posição socioeconômica, já que se conhecem casos de pessoas que foram acometidas que possuíam títulos universitários, pertencentes, a magníficas carreiras profissionais e com nível econômico elevado.
De acordo com Stumpf e Rocha (2010), naqueles indivíduos que estão acima de 60 anos, a incidência anual é de 5/10.000, sendo que pelo menos a metade é portadora de demência ou algum outro transtorno psiquiátrico.

TRATAMENTO
Cooney e Hamid (1995) comentam que o tratamento dos indiví-duos acometidos pela síndrome se torna difícil, uma vez que envolve diversos fatores e dentre eles estão, principalmente a relutância dos pacientes em aceitar qualquer tipo de ajuda. Os casos geralmente chegam ao conhecimento dos serviços de saúde após denúncias de vizinhos, preocupados com as consequências do acúmulo de lixo nas proximidades de suas residências. Após episódios de perda de consciência alguns pacientes também são levados a pronto-atendimentos.

Contudo, de acordo com a literatura o tratamento deve ser dirigido para possíveis complicações derivadas do mal estado nutricional e higiênico, portanto, deve-se inclusive, instaurar medidas preventivas para que o quadro não volte a repetir-se.

Neste sentido, necessário se faz que haja um apoio social suficiente, através de uma instituição geriátrica ou de assistência domiciliar.

Porém, Clark et al (1975) condenam a internação compulsória dos indivíduos com síndrome em asilos ou hospitais. Acrescentam que cuidados na comunidade se constituem na melhor estratégia de tratamento, os quais deverão incluir dentre outros serviços, visitas domiciliares (feitas por profissionais de saúde mental) e ajuda na realização das tarefas domésticas.

EM  RESUMO…
A Síndrome de Diógenes é uma condição grave que requer uma abordagem multiprofissional, por isso autores aconselham que os familiares devem vigiar a seus maiores que vivem sós especialmente se observarem algum fator de risco, a exemplo de um comportamento estranho ou um isolamento voluntário.
Diante de um paciente com suspeita dessa síndrome, Stumpf e Rocha (2010) recomendam aos profissionais da área que adotem as seguintes providências:
a) avaliação psiquiátrica, incluindo avaliação cognitiva e clínica, exames complementares de rotina;
b) avaliação neurológica e exame de imagem do crânio;
c) caso sejam encontradas comorbidades psiquiátricas, estas devem ser tratadas.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Docente do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – Ufac. Coordenadora Operacional do Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

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