Síndrome de HELLP

HELLP é a sigla usada para descrever a condição de paciente com pré-eclâmpsia grave, cujo significado assim se traduz: H: hemólise (fragmentação das células vermelhas do sangue na circulação); EL: alteração das provas de função hepática (elevated liver functions tests) e LP: diminuição do número de plaquetas (células que auxiliam na coagulação) circulantes (low platelets count).

É uma complicação obstétrica que representa risco de morte, sendo considerada por muitos como sendo uma variação da pré-eclâmpsia. Tais condições tanto podem aparecer na gravidez quanto após o parto.
Com base na literatura pertinente, Peraçoli (1998), indica que pacientes com história de sín-drome HELLP provavelmente apresentam risco significativo de desenvolvimento da pré-eclâmp-sia, com ou sem síndrome HELLP, na próxima gestação.

Considerando que seus sinais e sintomas são confundidos com os da pré-eclâmpsia grave (dor epigástrica ou no quadrante superior direito, náusea e mal-estar), as formas leves podem passar despercebidas caso não seja feita a correta avaliação laboratorial.

Sendo assim, conforme sugere Martin (1991) o diagnóstico é feito somente quando a síndrome HELLP está bastante avançada. Mas, uma vez diagnosticada a doença, o que só ocorrerá através de uma série de exames de laboratório, é possível realizar um tratamento paliativo que consistirá em repouso, tratamento da pressão arterial e de crises convul-sivas. Contudo, a cura mesmo, só acontece após o parto.
A maioria dos autores consultados acredita que, dentre as mulheres afetadas grande parte desenvolve a HELLP no terceiro trimestre, embora a condição às vezes se desenvolva no segundo trimestre ou na semana seguinte ao parto. 

Os especialistas acrescentam que embora qualquer gestante possa contrair a síndrome de HELLP, algumas correm maior risco, incluindo aquelas que: tem de 25 anos de idade; são brancas; já deram à luz anteriormente; têm problemas na pressão sangüínea, como pressão alta, pré-eclâmpsia ou eclampsia; e já tiveram problemas de HELLP, pré-eclâmpsia ou eclampsia em gestações anteriores.
No entender da maioria dos autores consultados, comumente, a paciente que desenvolve a síndro-me do HELLP, vem seguida de hipertensão induzida pela gestação/pré-eclâmpsia, sendo que cerca de 8% dos casos apresentam o quadro após a o parto.

Além disso, a mulher pode experimentar problemas neurológicos como dor de cabeça e desorientação, dor de estômago, dor na região do fígado, vômitos, tonturas e mais raramente náuseas.

CAUSA – A causa da HELLP ainda não está completamente esclarecida, porém os especialistas da área indicam que a síndrome pode levar hemorragia interna, insuficiência cardíaca e pulmonar, acidente vascular cerebral, dentre outras complicações graves para a mãe.

Ela também pode levar a placenta a se descolar prematuramente da parede uterina, o que pode resultar em morte fetal.

Outras complicações sérias para o feto incluem síndrome da angústia respiratória e crescimento uterino restrito.

TRATAMENTO – De acordo com a literatura consultada o tratamento da síndrome HELLP compreende a correção dos distúrbios maternos permitindo que a gestação seja interrompida de forma mais segura possível, independente da idade gestacional. Esta síndrome está associada a um mau desfecho materno e fetal, com complicações maternas graves como edema agudo de pulmão, falência cardíaca, insuficiência renal, CIVD (coagulação intravascular disseminada) com hemorragias importantes, ruptura do fígado e morte materna.

PREVENÇÃO – A síndrome de HELLP não pode ser prevenida, mas a detecção precoce aumenta as chances de sobrevivência da mãe e do bebê. Por conta disso, a gestante deve informar o médico imediatamente sobre qualquer convulsão, dor abdominal ou sintomas semelhantes aos da gripe.

Porém, algumas pesquisas assinalam que o uso de uma terapia de baixa dose de aspirina, ou de suplementação de cálcio em mulheres com nutrição inadequada reduziu a incidência de pré-eclâmpsia, e, conseqüentemente, a incidência de HELLP. Para muitos autores, tais terapias ainda não são consideradas padrão.

IMPORTANTE – Segundo os especialistas, a HELLP tem menos probabilidade de prejudicar o feto se a mãe estiver perto de 37 semanas e os resultados laboratoriais estiverem próximos do normal. Havendo descolamento prematuro da placenta é sinal de que o bebê está com falta de oxigênio e pode sofrer de asfixia.

Conforme assegura Nascimento (2011) a síndrome de HELLP se apresenta em aproximadamente 10% das mulheres grávidas que sofrem de pré-eclâmpsia.

Cerca de 2% das mulheres com a síndrome de HELLP e 8% dos bebês morrem em decorrência da síndrome. Porém, a morbidade ou mortalidade da mãe depende do avanço e gravidade da sín-drome, enquanto do feto depende de sua idade gestacional.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Docente do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Federal do Acre – UFAC. Coordenadora Operacional do Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

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