Obra prioritária para o Acre: até quando iremos aguardar?

Carlos-Sasai-2lllEm grande parte do Brasil, esta época do ano é marcada pela decretação do “estado de emergência” devido à seca, que teima em fazer arder as nossas vistas e atacar o aparelho respiratório, causando inúmeros transtornos à saúde. E na economia? O que devemos fazer quando o problema causa prejuízos incalculáveis, prejudicando toda uma região cujo principal meio de transporte é o hidroviário? E quando a solução, que está ao alcance de nossas mãos, é “travada” pela ação da burocracia?

É o caso da necessária ponte sobre o Rio Madeira, obra prioritária para o Acre, Rondônia, Amazônia e o país, estratégica para o acesso aos portos do Pacífico Sul, que se transformou em mais uma vítima da burocracia nacional. A licitação (Concorrência Pública nº 134/2010-00) foi suspensa há vários meses pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), sob alegação de irregularidades.

Ninguém contesta aqui o dever e a obrigação do Tribunal de Contas de zelar pelo patrimônio público. Porém, suspender um processo durante tanto tempo, com o consequente prejuízo trazido pela paralisação de caminhões com cargas perecíveis, fazer empresários e trabalhadores em serviço e famílias inteiras continuarem enfrentando filas imensas para atravessar o Rio Abunã de balsa não encontra justificativa sob qualquer raciocínio lógico. A situação agrava-se ainda mais em alguns meses do ano, quando o rio fica com o nível das águas muito abaixo do normal, prejudicando a navegação. No ano passado, nesta mesma época, a situação tornou-se insustentável, com filas quilométricas e espera de até 12 horas.

O problema tornou-se tão agudo que presidentes e representantes de várias entidades de classe reuniram-se em Rondônia e assinaram uma carta dirigida ao chefe da Unidade Administrativa Regional de Porto Velho da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). No documento, os signatários pedem que sejam tomadas providências urgentes para a dragagem do Rio Abunã como forma emergencial de impedir problemas ainda mais graves.

Entretanto, somente a ponte poderá unir, de modo abrangente e definitivo, centenas de produtores rurais que trabalham duro nesse território abandonado, milhares de cidadãos que necessitam ter o direito de produzir e escoar sua produção, assim como precisam ter seu direito de ir e vir respeitado. E todos sabem que a solução plena virá se conseguirmos vencer a burocracia que emperra a urgente e aguardada construção da ponte sobre o Rio Madeira.
* Carlos Takashi Sasai, empresário, é presidente da Fieac (Federação das indústrias do Estado do Acre)

 

 

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