Um Acre de agosto: a história por trás da Revolução Acreana

No dia 6 de agosto comemora-se a Revolução Acreana, termo dado à revolta da população que ocupava o que hoje é o Acre contra a Bolívia, que detinha a soberania da área. Em 1903, o território foi proclamado República do Acre e saiu do regimento de Luis Gálvez Rodríguez de Arias. Episódio que se deu após os acreanos venceram a disputa pela força das armas, comandados por José Plácido de Castro.
Revolucao
A Revolução Acreana chegou ao fim com a assinatura do Tratado de Petrópolis, pelo qual a Bolívia cedeu o território ao Brasil e da construção da ferrovia Madeira-Mamoré, que jamais deu certo.

A revolução local ocorreu na disputa pela posse do território entre: Brasil, Bolívia e Peru. O território do atual Acre foi proclamado autônomo por três vezes como Estado Independente do Acre, embora a independência só tenha sido reconhecida pelo lado brasileiro.

O tema serviu de inspiração até para uma minissérie da TV Globo Amazônia, de Galvez a Chico Mendes, escrita por Glória Perez, exibida no início de 2007.

Rio Branco – É a capital Estado. Localizado no Vale do Acre, é o mais populoso município do Estado, com mais de 300 mil habitantes, segundo o censo 2010, com quase metade da população estadual. Rio Branco foi também um dos primeiros povoados a surgir nas margens do Rio Acre. Em 1913, tornou-se município. Em 1920, capital do território do Acre e, em 1962, capital do estado. A cidade de Rio Branco é o centro administrativo, econômico e cultural da região.

“O direito ao passado é parte fundamental da cidadania. A memória pertence a todos”. Assim disse o jornalista Antonio Alves. Expressão melhor não existiria para descrever o Estado do Acre sem mencionar um dos principais bairros que compõem a capital acreana. A referência é o bairro Seis de Agosto. Local onde no começou era um varadouro por onde passava burros e cavalos carregando borracha e outras mercadorias.

Na altura do Igarapé da Judia, em meados de 1902, Plácido de Castro e suas tropas enfrentaram os bolivianos, que nem o tempo apagou esse registro, guardado pelo Rio Acre, onde o paredão ainda traz marcas do confronto.

Nos primeiros anos de Rio Branco, a rua que abrigava o bairro Seis de Agosto era extremamente menor. A origem do bairro iniciou com os comércios que foram se transformando, devido os proprietários decidirem residir em seus estabelecimentos.

6 de Agosto – O bairro surgiu como extensão dos comércios que existiam as margens do rio, como barbeiro, casas de prazer, casas de lazer, que também era uma tradição da Rua Seis de Agosto. A Seis foi o primeiro bairro a ser formado por trabalhadores urbanos, o que trouxe evolução, como a primeira linha de ônibus criada na década de 40.

O local foi o centro que abrigava as pessoas que vinham de zonas rurais, possibilitando a criação de escolas, transportes e expansão da economia. Com esse crescimento, veio a construção da primeira ponte, chamada de Juscelino Kubitschek ou ponte metálica, facilitando o contado do Segundo com o Primeiro Distrito. Com a aproximação de ambos os lados, criou-se Penapólis, conhecida hoje como o Primeiro Distrito, onde se encontra as instituições judiciá-rias, legislativas e executivas.

Dificuldades da 6 – Maria Marciel, 42 anos, é funcionaria pública e reside no bairro desde mocinha e diz não deixar o bairro por nada, mesmo com as dificuldades. “O bairro é um local tradicional, onde as pessoas se conhecem de longa data, tivemos e temos grandes destaques, como política, esporte, judiciário e outros. Melhorou com as mudanças realizadas pelo governo e município, mas ainda enfrentamos a luta de jovens viciados e ociosos. Se tivéssemos uma área de lazer, uma área esportiva e uma academia popular como gostaríamos, certamente esses problemas diminuiriam”, afirma Maria.

Dona Antônia da Costa chegou ao bairro no dia 6 de janeiro de 1960 e diz que o bairro melhorou muito, ruas, calçadas e saúde, o que ainda aguarda melhorar um pouco mais.

“Temos praticamente tudo no bairro Seis de Agosto, melhoramos com a construção de ruas, da ponte, mas ainda precisa melhorar um pouco na saúde. Precisamos que as autoridades olhem com um carinho maior para o bairro, pois enfrentamos a dificuldade de encontrar médicos que atendam nossas necessidades, como um ginecologista, já que não conseguimos marcar um particular que custa e demoramos a ser atendidos”, disse dona Antonia.

Benefícios da 6 – Através da associação dos moradores da 6 de Agosto, ontem, o prefeito, juntamente com o secretario de saúde do município, Oswaldo Leal, promoveram uma feira de saúde, para atender toda a comunidade durante todo o dia, como parte da programação dos festejos dos 107 anos do bairro.

“Sabemos das necessidades que a comunidade ainda passa no que diz respeito a saúde da população, com atividades itinerantes como essas, estamos tentando amenizar os problemas e hoje damos início as campanhas contra a catapora e a segunda dose da vacina contra paralisia infantil, tratando o bairro como a verdadeira referência que ele é”, disse Oswaldo.

“Através das intervenções da própria associação em pedir essa ajuda a mais, podemos proporcionar a comunidade os benefícios que ela merece e precisa. Nossos governantes precisam deixar de pensar no lado egoísta da politicagem e cuidar das pessoas como o prefeito Angelim vem realizando no bairro”, afirmou Sergio Roberto, presidente da Associação da 6.

 Desobstrução da rede de esgoto, limpeza de ruas, corte de mato e serviços de saúde, foram oferecidos como parte da programação em comemoração aos festejos e benéfico a comunidade, com a parceria da prefeitura e bairro.

“O bairro Seis de Agosto é o mais tradicional de Rio Branco, para não dizer o berço da capital e do estado. A comunidade esta de parabéns pelos seus 107 anos e certamente vamos continuar dando esse auxílio, não só como prefeito, mas como pessoa que respeita as tradições e como acreano que viveu parte de sua juventude no bairro ao se refrescar no igarapé”, explicou Raimundo Angelim, prefeito de Rio Branco.

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