Detentas se rebelam e destroem forro de pavilhão feminino

As 174 presidiárias na Capital fizeram uma rebelião e destruíram o forro e parte das telhas do pavilhão feminino do Presídio Francisco d’Oliveira Conde. A revolta aconteceu na noite do último sábado (20). Elas fizeram uma série de reivindicações, tais como o fim da superlotação na unidade, falta de uma ala médica mais preparada, revisão das suas penas, qualidade da comida, maus-tratos, instalação de berçário e até mais agentes penitenciários para controlar a prisão. O local ficou destruído e as presas foram realocadas pra outras unidades.
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Tudo começou por volta das 19h do sábado, com um forte ‘bate-bate’ de grades. As internas começaram a clamar seus protestos e discutir com as 8 agentes de plantão. Às 22h30, elas decidiram tomar atitudes mais enérgicas quebrando com as mãos o forro de madeira e partes do telhado de cerâmica. Elas ainda tentaram fazer as agentes de reféns. Diante da insurreição, as agentes de imediato acionaram a polícia. Os militares atenderam de pronto o chamado. Por volta da meia-noite, conseguiram controlar o movimento, evitando fugas.

O pavilhão – que havia sido reformado ainda neste ano – ficou parcialmente destruído. Por isso, 106 das presidiárias foram organizadas e conduzidas a um pavilhão improvisado no presídio de segurança máxima Antonio Amaro Alves. As demais 68 foram alocadas em outra estrutura provisória no pavilhão ‘N’ do presídio estadual.
Segundo o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Acre (Sindap), Adriano Marques, o fato poderia ter sido evitado se medidas tivessem sido adotadas antes. Como exemplo destas ‘medidas’, ele citou o reforço no material (madeira) do teto, providenciar equipamentos de segurança e armamento não-letal às agentes e sistema interno de vídeo.

“Além disso, mais agentes devem ser contratados. O governo vai contratar 140 agentes agora. Isso é bom, mas não é suficiente ainda. Só Rio Branco precisa de 200 e há ainda 300 agentes na lista de espera, que poderiam ser contratados”, disse Adriano Marques.

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Iapen/AC atenderá os pedidos, mas cobrará danos das presas
O diretor-presidente do Instituto de Administração Penitenciário (Iapen), Dirceu Augusto, afirmou que as reivindicações das presas foram ouvidas atentamente e devem ser tomadas providências para solucioná-las tão logo sejam constatadas as suas veracidades. Dirceu informou que serão tomadas medidas para prevenir novas situações iguais (serão postas chapas de ferro ao invés de madeira).

No entanto, ele condenou a ação destrutiva das presas e disse que será instalada investigação para apurar quem foram as autoras da depredação e, assim, aplicar-lhes a devida punição.

“Há, sim, problemas no pavilhão. Mas a depredação do bem público não justifica seus atos. Nada justifica. Vamos apurar o que houve, tomar as medidas necessárias e responsabilizar os autores”, disse Dirceu. Para completar, o gestor também informou que, ao contrário do que diziam as presas, o local tem sim um berçário (tanto é que ele também teve seu forro arrancado) e que a reforma do pavilhão deve ficar pronta num prazo de 30 dias (prazo curto já que a fiação elétrica e as celas tiveram poucos danos).  

 

 

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