Perpétua insiste: Bolívia deve repatriar carros roubados no Brasil

O embaixador da Bolívia no Brasil, Jose Alberto Gonzales Samaniego, admitiu ser possível um acordo para devolver aos proprietários brasileiros os carros, motos e caminhões roubados que transitam ilegalmente no país vizinho. O entendimento começou a ser discutidos em audiência pública requerida pela deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB), realizada na última terça-feira.

 Na lista de estados com ocorrência de crimes aparecem Acre e Rondônia, que juntos integram os 3,4 mil quilômetros de fronteira entre Brasil e Bolívia. A deputada acreana pediu pressa numa saída diplomática, intermediada pelo Itamaraty, para evitar que 20 mil automóveis roubados no Brasil (estimativa da própria Polícia Federal) sejam “esquentados”, como prever uma lei sancionada pelo presidente Evo Morales. 

“Há uma grande procura da população boliviana por carros brasileiros que foram roubados aqui. Esses automóveis já estão sendo regularizados lá. É estranho que, desde o surgimento desta lei, os departamentos de trânsito bolivianos já tenham recebido 128 mil pedidos para regularizar automóveis”, disse Perpétua. “Uma lei não pode beneficiar infratores”, concluiu. O deputado e delegado  da PF Protógenes Queiroz  (PCdoB) entende que a decisão do governo Evo Morales vai incentivar ainda mais os delitos.

O procurador da República Raphael Perissé afirmou que a negociação deve prever a possibilidade de sanções comerciais e econômicas contra a Bolívia em caso de recusa ao envio dos veículos brasileiros. O diretor da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseng), Neival Rodrigues Freitas, que integrou uma comitiva do Itamaraty à Bolívia em julho deste ano, informou que os dois governos estão negociando ações para evitar o contrabando de veículos brasileiros. Estão sendo estudadas medidas como integração de banco de dados e cooperação entre polícias.

Tráfico de drogas
De acordo com Raphael Perissé, os carros roubados no Brasil que seguem para a Bolívia são normalmente trocados por pasta-base de cocaína. A droga, segundo o procurador, acaba entrando no Brasil – uma parte fica em território nacional e outra alimenta o tráfico internacional. (Assessoria)

 

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