O fim da ‘Era das Surdinas’

As falhas na misteriosa prisão da empresária Ana Bethânia foi o assunto mais comentado da semana! Não cabe aqui julgar a atuação de juíza, delegados ou muito menos dos envolvidos no caso. Tal providência deve ser tomada pelos devidos órgãos públicos responsáveis. O que vale destacar é que as reviravoltas deste episódio vêm mais uma vez para mostrar que já passou a ‘Era Negra das Surdinas’ no Acre. Aqueles amargos anos marcados pela impunidade de ‘figurões’ autoritários, que se ocultavam em meio a ameaças, violência, chantagens, subornos e diversas outras formas de crimes e interesses.

A história de nossa terra é marcada por grandes homens e uma inconfundível riqueza de fatos. No entanto, também é infortunada de lastimáveis banhos de sangue tanto de alguns de nossos mais célebres heróis, quanto do nosso povo. Hediondos crimes sustentados pela soberba e vil tirania do medo e do desconhecimento popular. Assim, povos indígenas foram dizimados como animais pelos ‘homens brancos’. Seringueiros foram ‘assassinados’ de tanto trabalhar. Posseiros foram postos pra correr de suas casas a tiros de grandes latifundiários. Etc, etc, etc…

Até em épocas mais recentes cidadãos de bem temeram represálias de um certo esquadrão da morte. 

Mas tudo isso passou!

Acabaram-se aqueles tempos em que as falcatruas rolavam soltas e todo mundo preferia abaixar a cabeça ao invés de denunciar. A época em que bandidos cometiam seus crimes às escondidas e, dependendo do quão cautelosos fossem para encobrir suas maracutaias, saíam ilesos do castigo. A época em que o Estado era uma ‘terra sem lei’, na qual polícias desestruturadas não investigavam nada e o poder público fugia de suas funções.

Os tempos são outros, definidos pelo processo de globalização, tecnologias de ponta, internet, redes sociais e, acima de tudo, cidadãos mais bem informados de seus direitos.

No Acre de hoje, não há mais facilidades pra criminosos e corruptos esconderem seus rastros de atrocidades e abusos de poder. Narcotraficantes que sitiam base indígena são presos. ‘Coyotes’ que tentam passar pela fronteira transportando ‘mercadorias humanas’ são capturados. Pais que abusam de filhas vão pro xilindró. Organizações criminosas são desmanteladas. Políticos são denunciados. Traficantes, agressores e homicidas são pegos em flagrante. E assim segue.

É lógico que não vivemos ainda num Estado perfeito. Mas os avanços na reação do povo acreano perante os ultrajes de ‘crimes obscuros’ são inegáveis. Cada vez mais, a população está fazendo jus ao seu poder de pressão e cobrança. E é assim que fazem órgãos e autores públicos entenderem de, uma vez por todas, que deixar de agir diante de crimes escancarados é o mesmo que afixar em suas testas um grande selo de ‘incompetência’.

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