A cidade e suas motocicletas selvagens

Quem decide aprender a dirigir um carro passa por um período não muito longo de formação, é verdade, mas que inclui aulas e provas teóricas e práticas. Muitos de nós saem despreparados e cheios de receio para as ruas mesmo após tantas recomendações e orientações do instrutor nas aulas de apenas uma hora por dia em que não há ensaio. Fazemos parte do trânsito vivo, pulsante das ruas, do cotidiano, das horas de pico desde as primeiras lições.

Apesar das evidências do despre-paro de grande parte dos condutores deste tipo de veículo – que não respeitam seu espaço dentro das vias, ultrapassam pela direita, sobem em canteiros, saem cortando os outros veículos como em um jogo de videogame colocando não só a vida deles como as de outras pessoas em risco – é reservado para eles um espaço próprio, uma pista estreita com obstáculos simulados e percurso limitado onde o que importa é saber apenas se manter equilibrado em cima do veículo e não errar os comandos.

As pistas fechadas privam os motociclistas de vivenciar a experiência das ruas sob a orientação de um profissional preparado para observar de que forma o motorista, o condutor, irá se comportar e corrigir as falhas que poderiam apresentar. Esta orientação durante o treinamento faz a diferença na forma como nos comportamos nas ruas. Só as aulas teóricas não formam o bom motorista, seja de que veículo for. É claro que o risco que um instrutor sofre ao acompanhar o aprendiz de moto é bem maior que o de carro, mas deveria ser destinada pelo menos uma parte do tempo para incursão pelas ruas da cidade para que o aluno pudesse ter acesso ao trânsito do ponto de vista de quem está dentro dele.

Com a popularização deste tipo de veículo e a oferta de modelos mais econômicos e mais baratos, o número de motocicletas aumentou bastante nos últimos anos. O que preocupa é que o índice de acidentes que envolve motos cresceu também. Se não na mesma proporção, mas em medida que assusta. Todos os dias é possível ver nos principais cruzamentos de Rio Branco um acidente envolvendo motocicletas. Em colisão com carros, com outras motocicletas ou contra os “obstáculos” da cidade como rotatórias, postes e meios-fios.

Campanhas de conscientização ininterruptas, sinalização específica, fiscalização e blitz ainda é muito pouco para conter o nível de confiança que os motociclistas de Rio Branco atingiram ao se saírem corajosos e loucos pelas ruas da cidade. O sangue derramado no asfalto não é.

Golby Pullig é jornalista
Twitter –  @golbypullig

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