A passagem do bonde histórico

Os investimentos em infra-estrutura estão transformando o Acre que tem a necessidade de viver um novo ciclo econômico. A conclusão da BR-364 que vai unir os vales do Acre e do Juruá criará um novo mercado interno integrado atrativo. A Rodovia Transoceânica abrirá as portas dos mercados andinos, norte-americanos e asiáticos para a economia acreana. Com isso, o Estado estará numa nova posição estratégica em relação à geografia global.

Essa nova realidade exigirá que a bancada federal acreana, a Aleac e o Governo do Estado estejam preparados para as ações que garantam a continuidade dos investimentos, a consolidação da economia do Estado e a inclusão social. Novos empregos precisam ser gerados para acabar definitivamente com a economia dependente do contra-cheque do funcionalismo público. Para isso, será importante fortalecer as empresas tanto da Capital quanto do interior do Estado.

As grandes obras do Estado como a BR-364 chegarão ao final em 2012 retirando do mercado acreano milhões de reais que circulam através da ocupação de mão-de- obra regional. É preciso encontrar novas maneiras para gerar riquezas. A industrialização e o conseqüente aproveitamento das matérias-primas disponíveis são os caminhos para a transformação econômica ansiada pela maior parte da população acreana.      

Mas perspectiva de desenvolvimento precisa vir acompanhada por políticas de qualificação de mão-de-obra. Nesse sentido o Instituto Dom Moacyr, o Ifac e a Ufac precisam assumir papéis de protagonistas na educação para garantir a formação de novos profissio-nais qualificados para ocuparem os postos de trabalho que se abrirão. Senão corremos o risco de sermos apenas geradores de oportunidades para profissionais que vem de fora sem nenhum compromisso com a vida social do Estado.   

As políticas econômicas governamentais devem garantir o desenvolvimento através do surgimento de novas empresas privadas que possam substituir o ciclo das obras pelo ciclo industrial. O Acre não pode ser tampouco apenas um mero fornecedor de matérias-primas sem nenhum valor agregado como aconteceu durante o ciclo da borracha. A prosperidade precisa alcançar as classes mais desfavorecidas para que haja paz so-cial. Só uma distribuição justa das riquezas criará harmonia entre o desenvolvimento econômico e humano.

Como um novo Estado que vem sendo construído a pouco mais de cem anos o Acre tem a oportunidade de mudar os paradigmas de desenvolvimento que imperaram no planeta no último século. Precisamos muito mais de um socialismo de inclusão e distribuição equânime de oportunidades do que ideológico. O bonde da história está passando por aqui. É preciso embarcar para não ficar no futuro dependendo de uma carona.

* Nelson Liano é jornalista
[email protected]     

 

 

 

 

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