Novo tempo no Juruá

Só não acredita no poder de transformação que a política pode operar quem nunca veio ao Juruá. A região formada pelos municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Ro-drigues Alves, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo viveu dois momentos políticos distintos. Há poucos anos todos esses municípios tinham uma identidade muito maior com os partidos que integravam o extinto MDA do que com a FPA. Mas atualmente o quadro mudou bastante. Rodrigues Alves, Porto Walter e Mâncio Lima têm as suas prefeituras nas mãos da FPA. Enquanto Cruzeiro do Sul e Thaumaturgo têm administrações peemedebistas.

O caso de Mâncio Lima é interessante. O prefeito Cleidson Rocha (PMDB) foi eleito com o vice Werington Maia do PCdoB. Mas no transcorrer do tempo não esconde mais de ninguém que apóia o projeto político da FPA e que deve mudar de partido. Agora, depois de muitos investimentos dos governos da FPA a tendência governista poderá também contaminar os dois municípios restantes. Nos próximos dias o Governo vai inaugurar a ponte sobre o Rio Juruá e uma moderna maternidade. Obras de peso as quais a população da região nunca acreditou. A ponte sempre foi tida como uma promessa não cumprida pelo PT e foi tema das últimas eleições em Cruzeiro do Sul.

Além disso, os investimentos na BR- 364 trouxeram muita prosperidade ao Vale do Juruá. Claro que os recursos que circularam pelos municípios foram sazonais e, com a conclusão da obra, não existirão mais. Para se ter uma idéia só a prefeitura de Cruzeiro do Sul teria recebido R$ 10 milhões de ISS da construtora que fez a ponte. Milhares de empregos foram gerados e o comércio cruzeirense nunca esteve tão aquecido. Prova disso, é que os empresários cruzeirenses calculam um aumento de 50% a venda no Dia dos Pais em relação a 2010.

A instalação da Universidade da Floresta e do Ifac somados a uma instituição particular, a Ieval, oferecem atualmente 16 diferentes cursos universitários em Cruzeiro do Sul. Quando cheguei à região, em 2003, só havia dois. Mais de uma centena de professores universitários foram morar na cidade. Também o 61 Bis, com a nova política do Exército Brasileiro de resguardo das fronteiras amazônicas mandou para região várias dezenas de oficiais.

Todas essas ações provocaram uma mudança profunda do quadro social e econômico do Juruá. Com as perspectivas da abertura permanente da BR-364 a transformação deverá ser ainda maior. O isolamento é coisa do passado e as possibilidades de negócios na região cresceram absurdamente. Agora, o importante é que as políticas públicas acompanhem toda essa mudança tão rápida para garantir a segurança dos cidadãos e cidadãs do Juruá.              

* Nelson Liano é jornalista
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