Unidade contraditória

Não existe democracia sem contradição. É como um cabo de guerra em que cada um puxa a corda para o seu lado. Isso é natural e saudável. Mas a democracia também tem o seu preço. Às vezes, um bom projeto criado por uma coligação política é destruído pela opositora quando o poder troca de mãos. É uma situação temerária porque, nesse caso, os interesses partidários acabam se sobrepondo aos interesses da população. Mas dificilmente uma troca de gestão governamental mantém projetos da administração anterior.

Seria preciso um amadurecimento muito grande dos partidos e dos políticos para que a prioridade seja o bem- estar das pessoas e não os interesses que gravitam em torno do poder. No Acre assistimos duas situações que podem muito bem ilustrar essas premissas: a questão dos empréstimos do Governo e a conclusão da BR-364.

A oposição acreana tem criticado o Governo pelos empréstimos feitos junto a organismos internacionais e na-cionais. Alegam que cada acreano já nasce com uma dívida de R$ 3 mil. Parece coisa de carnê de prestação das Casas Bahia em que se a dívida não for paga o oficial de Justiça estará à porta de cada acreano cobrando. É um absurdo.  Inclusive, tenho questionado diretamente membros da oposição sobre o assunto.

Se os oposicionistas dissessem que vão fiscalizar a aplicação de cada centavo dos empréstimos estariam cumprindo a sua função. No plano governamental um empréstimo significa recursos para investimento. Se a aplicação for feita de maneira correta significará melhoria da infra-estrutura do Estado, geração de emprego e renda. Se não for assim é caso de polícia. Mas é estranho denunciar um empréstimo antes de começar a ser investido. Outra coisa, ao cidadão comum não interessa quanto o Governo deve, mas se tem água potável, rua pavimentada, escola para os filhos e perspectivas de emprego.

Também a conclusão da BR-364 tem sido muito questionada pela oposição. Acho estranho porque se pretendem um dia governar o Estado deve-riam agradecer pela obra. O Acre é o único Estado da Federação que não tem a sua integração terrestre concluída. As duas maiores regiões, o Vale do Acre e o Juruá estiveram apartados durante anos por 653 Km de florestas. Portanto, a conclusão da estrada entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul abre novas perspectivas de projetos sociais econômicos para os próximos governos acreanos, sejam de situação ou oposição.

Lutar contra o sonho da maioria dos acreanos me parece uma coisa muito mesquinha. Vamos deixar para pensar em eleições no momento certo. Antes é todo mundo trabalhando para fazer do Acre um lugar decente para se viver. E não precisa ser o melhor do mundo porque isso é uma questão interna de cada um.   

* Nelson Liano é jornalista
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