Cotas, o preconceito escondido no entrelinhas

No Brasil temos cotas para negros, pobres, deficientes físicos, reeducandos, enfim, pense numa classe e lá teremos uma cota para ela. Só não temos uma cota para quem não se enquadra em nenhuma dessas cotas.

Não faz muito tempo que acusei os executivos de “paternalismo social”, por não tirar parte das pessoas da ociosidade para o trabalho formal ou mesmo o informal. Mas não é esse o tipo de pessoas que o Brasil (?) quer formar, o independente, aquele que pensa sem a necessidade de um “cabresto (pode chamar de curral eleitoral)”, da esmola em troca de um voto que irá perpetuar a incompetência administrativa.

Pessoas com boa educação, com um trabalho que tenham que exercê-la diariamente, costumam serem mais críticos, do que mesmo aqueles que se contentam ou mesmo por uma “fatalidade” do destino acabaram reféns das “bolsas”. O mesmo pode ser pregado quando se fala em cotas. Quando se cria uma cota, se subentende que essa classe é incapaz de concorrer em pé de igualdade com os que estão fora dela.

Crianças em situação de risco social normalmente “devoram” com mais aptidão as oportunidades de vida que lhe são oferecidas. Em alguns Estados – melhor dizer cidades – optam por arrebanhar essas crianças de lares conturbados, oferecendo oportunidades melhores em escolas com dois turnos, sendo um de estudos, enquanto o segundo de lazer. Quando entrar na adolescência aumenta-se para um terceiro turno, este com curso profissionalizante.

Talvez, desta forma, teremos pessoas capacitadas a entrar sem a necessidade de cotas, muitos deles qualificados não apenas para as faculdades, mas para preparar o Brasil para uma nova era. Porém políticos não querem pessoas independentes.

Pesquisando sobre o assunto, o amigo João Petrolitano repassou o artigo do professor Ives Gandra demonstrando que o preconceito com aqueles considerados “comuns”, que não se enquadra em uma “cota minoritária” é muito grande, ferindo veementemente a Constituição Brasileira (“promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”).

No próximo Vestibular que pretendo – e vou – fazer, irei me cadastrar na cota dos “excluídos pelas cotas fornecidas pelo Governo Federal”. Quem sabe, desta forma, eu que tive que parar de estudar para trabalhar, possa concorrer em pé de igualdade com as outras cotas minoritárias? Quando da minha aposentadoria, vou invadir a terra de alguém e requerer a aposentadoria que me é de direito, pois será mais fácil que tentar via órgãos normais ou INSS. Quem sabe antes de tentar tudo isso tudo ocorrer esse nosso Brasil de meu Deus crie vergonha na cara e comece a “funcionar”? Mas já aviso, duvido.

Ramiro Marcelo é jornalista.
e-mail: [email protected]
twitter: @ramiroacreano

 

 

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