Pais na era do Facebook

Na infância, eis que nossos filhos fantasiam mundos imaginários, mentem, acreditando em sonhos que só serão possíveis em suas inocentes cabecinhas. Nós, adultos, pais, avôs, achamos tudo engraçado e afirmamos que tudo passa com o tempo. Mais uma vez estamos enganados. E muito.

O tempo não melhora as fantasias, apenas aprimoram-na em suas cabeças. As mentiras, agora elaboradas a partir de conceitos merecedores de teses de Doutorados são ensinadas por uma “matilha” no facebook. Ressaltando que apenas os casos de sucesso – estamos falando das mentiras dos filhos – são repassados entre os “lobos”. Estes ainda em pele de cordeiro.

Promessas são feitas para, em muito pouco tempo, serem quebradas. As promessas surgem apenas para ganhar tempo diante de uma adversidade criada abruptamente e que precisam de algum tempo para aprimorar um plano maquiavélico melhor. Nós, inocentes, criados no tempo do zerol, da pepeta, da barra e do esconde-esconde, não somos páreos para esta era digital, com crianças impiedosas diante do despreparo dos pais diante desta nova geração.

Quando nenhuma destas “armas”, todas de poder mortal, eles utilizam-se (covardemente) de outros artifícios repassados de geração em geração e que mesmo assim desarmam o coração mais duro de qualquer pai ou mãe. Deixam escorrer uma lágrima em apenas um dos lindos olhinhos – fato  que segundo os estudiosos afirmam ter sido copiada pela lágrima do crocodilo – demonstrando arrependimento e dando uma aula de interpretação aos atores globais. Outra “ferramenta”, possivelmente criada durante a guerra fria (EUA e URSS), trata-se da frase paizão, acompanhada de um beijo no rosto ou mesmo um abraço.

Neste domingo, data escolhida possivelmente por um pai dominado pelo filho, em alguns anos cai no dia 13 (número de azar para alguns e sorte para outros) é no mês de agosto (historicamente mês das grandes tragédias na humanidade), por isso nada mais justo que a homenagem para nós, os pais, seja nesta data.

Para alguns sortudos, o domingo será de comemorações, para outros uma cueca supermacho ou um CD na promoção na Discardoso, empoeirada e enrolada com o papel de pão, pois a promoção não dá direito a um embrulho de presente. O almoço, no domingo, como não é uma grande data, terá galinha crua, arroz queimado e até a sagrada farofa estará seca demais. Ou seja, pais, não se iludam, você nunca terá a valorização das mães. Se quiser um presente melhor é você meter a mão no bolso e dar mais dinheiro para seu filho comprar o presente. E ainda aposto que ele só irá utilizar a metade dele, pois o restante servirá para comprar crédito para celular, sair para o cinema e outros. Deixando de lado, feliz dia dos pais para os “verdadeiros pais”.

Ramiro Marcelo é jornalista.
e-mail: [email protected]
twitter: @ramiroacreano

 

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