Perda do filho em vida

Na cabeça de nenhum pai – pelo menos os de “verdade” – passa que possa perder um filho. Aqueles que o perdem imaginam que desgraça alguém na flor da idade morrer antes de nós, que vivemos uma vida, seja ela repleta ou não de grandes ações, aventuras, amor e também alguns azares.

Outros a perda é, talvez, mais doida, pois perdem os filhos “em vida”, alguns podendo fazer uma visita rápida aos domingos por apenas 2h nas penais. Em outros casos os “filhos perdidos” convivem diariamente com os pais, aumentando este sofrimento, pois como ocorre com os vampiros, os filhos na existem mais naquele corpo, apenas um espírito maligno que não pode amar ninguém há não ser seus próprios vícios.

Nestes casos os pais, normalmente, procuram culpados. Alguns culpam os filhos, outros se culpam, a sociedade em que vivem, as compa-nhias. As vezes é quase impossível detectar um culpado. Quem sabe ainda no nascimento as linhas do destino deste filho não havia sido traçado com o fardo da derrota, da auto destruição?

Para todo e qualquer pai o pensamento é tonar a estra da vida dos filhos mais fáceis do que foram os seus. Ensinar quais são os caminhos das pedras, como evitar – não que seja fácil evitá-las – , pois é assim que se faz com aqueles a quem amamos.

Pai e mãe que vê o crescimento do filho, para aqueles que trabalham, esse acompanhamento é feito tarde da noite, na beira da cama, cobrindo, dando um beijo em suas inocentes faces, fazendo de uma forma que não vá acordá-los, não podem imaginar nunca um futuro negro. Sonham com futuros gloriosos, casados e felizes com seus filhos e seu companheiro. Rezando para um futuro promissor, cheio de saúde, alegrias e quando não for possível chorar com eles. Pois esse é o papel dos pais.

O aperto no coração, a sensação de derrota. Essa é o sentimento de quem perde o filho em vida, seja para o álcool, as drogas, a marginalidade. Aonde erramos? Quando foi que não vimos o primeiro deslize dele? Porque não agi de forma mais enérgica? O que fazer? E o mais importante: Como trazê-lo de volta para um caminho que a perda em vida, não vá se tornar a perda para a morte? Ame seus filhos. Nunca desistam deles, mesmo que eles desistam de si mesmo.

Ramiro Marcelo é jornalista.
e-mail: [email protected]
twitter: @ramiroacreano

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