O falso Don Juan

Como jornalista, somos obrigados por vezes a tomar um chá de cadeira à espera dos entrevistados. Durante a longa espera, encontramos colegas de trabalhos e amigos de infância. Em meio a perpetua espera, acaba surgindo um ser cósmico. Trata-se de um compulsivo ser doente e suas histórias, em que ninguém escapa, sendo que esse macho rei já comeu meio mundo e não pegou (ainda) o resto por falta de oportunidade.

O macho alfa, diz que não existe mulher difícil, apenas as precisadas de uma lábia Jamesbondiana. Ele é o perigoso entre as casadas, um Jedi com viúvas, e um monstro devorador de donzelas, que ele contabiliza com tracinhos riscados em seu bloquinho de anotações.

Sim pessoas, vale o velho dito: cão que muito ladra… Estou diante de um Casa Nova de araque, um falso  Don Juan, um personagem hilário, para não dizer infantil, em meio a seus contos da meia-noite durante o cine prive.

Esse homem-fraude em suas narrativas eróticas que jamais aconteceram, a não ser apenas e tão-somente na garganta, em meio a um Oasis repleto de muitos peixes grandes.

É o tipo de doença que começa logo nos verdes anos, na mentira de que não querer mais assumir mais sua donzelice, não mais ser virgem, e daí levar ao túmulo, incorrigíveis e taras falseadas.
Ele relata que traçou uma flor do bairro ou a gostosa da firma; ouço de imediato o coro ridículo carregado de chope e testosterona à milanesa: “Comi muiiito!” Sempre a mesmíssima história. Ah, como somos óbvios.

O falso don Juan é a doença infantil e incurável do machismo. Até quem não precisa contar vantagens acaba deslizando na tentação de parecer o supermacho. Basta uma rodada no boteco para que a testosterona desça-lhe à cabeça.

Sim, deixa o menino brincar, como cantava o Jorge Ben das antigas, que mal faz o delírio sexual do predador por natureza.

O camarada é um chato para as mo-ças. Não digo pelo velho, careta e surrado “vai ficar mal-falada” na firma, no bairro, na pequena cidade. O ruim é que pode enxovalhar a imagem da senhorita mesmo. Principalmente quando o Pinóquio metido a Don Juan é a maior sujeira na área, aquele com quem nenhuma iria mesmo arriscar a pele na cama.
Fica a dica: todo homem, assim como todo pescador que se preza, tem sempre uma aventura maior que a vara.

* Victor Augusto (Bombomzão) é jornalista
Email:
[email protected] Twitter: @bombomzao

 

 

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