Mentiras: além do bem e do mal

Temos que admitir que vivemos num mundo em que todos, sem exceção, uns mais outros menos, já fomos pegos em questões que envolvem mentiras. Não é leviano dizer que somos uns grandes mentirosos. Uns optam por mentir em prol do bem e outros em prol do mal. Portanto temos uma nova versão à lá Nietzsche: A  mentira além do bem e do mal.

Mentir é fazer declarações propositalmente falsas, meias verdades que envolvem falsas impressões. Até mesmo as verdades proferidas com intuíto de enganar, naquilo que visam iludir, caso expecífico de promessas de campanhas políticas, não passam de mentiras. O mentir ou a mentira postula, em filosofia, um conflito em normas éticas. A pergunta, à luz da ética, é: Mentir não é nem certo nem errado? Mentir é geralmente errado?  Mentir às vezes é certo? Mentir sempre é errado? Mentir nunca é certo? Mentir às vezes é certo?

O conceito mais íntimo, que nós pais, temos ou fazemos de nossos  filhos, em especial os adolescentes, é a de que eles estão sempre nos manipulando com “n” mentiras. Mas, por outro lado, nós adultos, do alto da nossa presunçosa honestidade, estamos sempre querendo tirar vantagens a partir de alguém ou de alguma coisa.  Vê-se por aí: a irresponsabilidade ao volante; o atirar lixo em qualquer lugar; o furto de pequenas coisas no local de trabalho; o “fazer hora” no serviço; as faltas desnecessárias no emprego; as mentiras gratuitas ou por interesse: “diga que eu não estou”; o costume de colar na escola; a preguiça de estudar; os relatórios e trabalhos forjados; o trabalho de conclusão de curso comprado; a falta de cumprimento do horário combinado; a crítica irresponsável e infundada sobre outras pessoas; árbitros de futebol que manipulam resultados de jogos, proprietários de carros pipas que negociam, à vista de todos, água emporcalhada; os gays camuflados, os corruptores da moral, os assédios de toda ordem, enfim. Toda essa infinidade  de desonestidade do sujeito da história gera um desequilíbrio social, que pode ser visto tanto em pequenos costumes como em grandes escândalos financeiros e estabelecem o caos na sociedade.

Na política partidária ministros e secretários de Estado caem a todo momento em desgraça, por cometerem improbidades, incompatíveis com o cargo que exercem. Desabam  à luz da moral individual e da ética coletiva. No Congresso Nacional há um anseio por criações de CPI’s. Todavia,  o que pontifica nessas CPI,s  são as  mentiras de quase todos que por lá estiveram. Quase todo mundo diz que o pessoal do Dnit mentiu, que outros faltaram com a verdade, enfim!

Ainda, sobre o mundo político partidário, se vislumbra com a definição dos quadros que disputam às próximas eleições municipais, uma nova temporada demagoga do “eu prometo” numa verdadeira pedagogia da promessa. A palavra de ordem é: Desenvolvimento!! Alguns sustentáveis, outros, porém, insustentáveis. Na realidade, com raríssimas exceções de progresso local,  o desenvolvimento, em nível de país, nada mais é do que o superdesenvolvimento econômico das elites, beneficiando,  especialmente, os bancos e seus banqueiros, em detrimento da população que continua da maneira que aí está. Na história da política partidária brasileira, salvo os eminentes estadistas,  homens e mulheres de bem, só mudam os personagens, a falácia é a mesma, isto é: estão de volta as velhas mentiras! 

  
 Esse fantástico mundo da mentira se alarga, a cada dia, de forma sem medida. Basta ver o sucesso  dos programas de  televisão fabricados para imbecilizar. Esse, por sinal, é um engodo alienante, não há nada mais permeado de farsa e mentira que esses programas de auditório. Neste contexto estão, também, inseridos  os pregadores “evan-gelicos” que oferecem o paraíso sem falar das agruras da cruz, que vivem a mercantilizar, no seio de algumas “igrejas” um verdadeiro alude de nichos, que segundo dizem, possuem super poderes, senão de cura, mas de produzir numa simples colheita   milhões de reais.

Vale, também, mencionar as “facilidades” que nos são oferecidas pelas empresas que detém a concessão de telefone móvel. Quem está mentido? Qual é na realidade a tarifa mais barata (pra caramba!) Hein? Alguém já constatou a veracidade da oferta; pois se existem três ou quatro agências de telefonia afirmando, cada uma individualmente, que possuem pulsos mais em conta, não é preciso ser professor de lógica, para dizer que alguém está mentindo.
É ou não é, leitor, um mundo de embuste e engodos; aliás, neste mundo de aleivosos, me incluo entre os principais.

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