Dor do crescimento: ocorre comumente na região anterior das coxas e panturrilha

Essas dores são predominantemente entre crianças de 3 aos 13 anos, sendo mais comuns em meninas. As crianças sedentárias são as mais afetadas.

Conforme Chubaci (2008) a disfunção acomete crianças e adolescentes entre três e 15 anos, principalmente meninos, e varia de intensidade e freqüência dependendo do paciente.

Alguns autores assinalam que em torno de 25% das crianças que procuram o reumatologista pediátrico, queixam-se de dores nas pernas, sendo que as chamadas “Dores do Crescimento” são a causa mais comum dessas dores. As dores são mais frequentes nos membros inferiores, ocorrendo comumente na região anterior das coxas e panturrilha (batata da perna).

Essas dores podem ser diárias ou esporádicas, e normalmente não são de longa duração, não tendo relação direta com o esforço físico.

Vale ressaltar que as dores não estão associadas à inflamação e nem vermelhidão, sendo que de maneira geral, as crianças na sua maioria deixam de apresentar essas dores no prazo máximo de dois anos.

CAUSAS
As causas ainda são indeterminadas e, mesmo sendo denominadas dores de crescimento, autores asseguram que tais dores não estão relacionadas com o crescimento. Segundo Rizzi (2011) a causa das dores não está totalmente conhecida. Alguns acreditam que pode tratar-se de um desequilíbrio no ritmo de crescimento dos ossos, dos tendões e dos músculos, ou seja, um deles pode se desenvolver de forma mais acelerada que o outro. Porém, quando há o nivelamento entre os dois e eles se igualam, a dor pára.

Chubaci (2008) acredita que as causas mais prováveis são os desconfortos resultantes de saltar, escalar e outras atividades motoras que normalmente as crianças ativas realizam, uma vez que não existem evidências científicas que determinem que o crescimento dos ossos provoque dor.

O mesmo autor acrescenta que não há pesquisas que expliquem por que algumas crianças crescem sem nunca sentirem essas dores.

SINTOMAS
Segundo Campos (2011) a principal queixa é uma dor incarac-terística nos membros inferiores. Essas dores são difusas, geralmente fora das articulações, nas coxas, panturrilhas, região anterior das tí-bias, atrás dos joelhos. Num estudo recente, Abu-Arafeh entrevistou 2165 escolares entre 5 e 15 anos e detectou que em 60% as dores ocorriam a qualquer hora do dia enquanto que nos restantes as dores se iniciavam após as 5 horas da tarde.

TRATAMENTO
Como não existe etiologia definida o tratamento conforme assegura Campos (2011) é sintomático e tem sido sugerido o uso de ácido acetilsalicílico para os casos que não respondem ao uso de calor local e massagem. Não se recomenda limitação de atividades físicas ou esportivas, pois as dores do crescimento acometem crianças sadias.

Conforme sugere Chubaci (2008) não há unanimidade entre os especialistas quanto a outras formas de tratamento. Contudo o autor acredita que massagens simples e compressas no local da dor podem ajudar as crianças a enfrentá-la.

Rizzi (2011) acrescenta que o problema pode ter ainda um componente emocional, ou seja, fatores psicológicos podem predispor a criança a sentir essa dor. Tem-se como exemplo o caso da entrada ou mudança de escola, ou mesmo o nascimento de um novo irmãozinho.

EM RESUMO
A dor do crescimento se localiza nas pernas, na região das coxas e panturrilhas. É uma dor difusa, freqüente ou esporádica, surgindo geralmente à noite.

Ao longo da noite a criança pode acordar com dor, e no dia seguinte está totalmente normal. Forlin (2011) sugere que se as queixas das crianças não estiverem acompanhadas de inchaços, não houver manchas na pele e a criança não mancar e nem apresentar limitação da atividade, os pais podem ficar tranquilos. Contudo, o autor considera fundamental uma visita ao ortopedista com a finalidade de afastar outras suspeitas.

A dor do crescimento conforme assegura Rizzi (2011) surge a partir dos 3, 4 anos e até os 10 anos, fase considerada de primeiro estirão, sendo que as crianças sedentárias geralmente são mais afetadas que as ativas. 

Não se sabe ainda a verdadeira causa da dor do crescimento, mas alguns autores a exemplo de Lino Jr (2011) acreditam que existem algumas hipóteses que podem explicá-la. Algumas delas são: falta de vitamina D, fadiga muscular, desequilíbrio entre o desenvolvimento dos ossos, tendões e músculos ou ainda, pés planos.

Vale ressaltar que além da queixa não existem outros sinais, como febre, edema, perda do apetite, manchas na pele, entre outros.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Docente do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Federal do Acre – Ufac. Coordenadora Operacional do Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

 

 

 

 

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