Enquanto houver impunidade haverá corrupção

A recente crise deflagrada no Ministério dos Transportes fez com que mais de uma dezena de pessoas fosse exonerada de seus cargos. Mas o afastamento dos envolvidos não é suficiente para estancar a onda de corrupção que assola os órgãos públicos do país
 
 Infelizmente, são inúmeros os exemplos que podemos levantar de escândalos envolvendo o mais alto escalão da classe política brasileira. Alguns, inclusive, há anos têm seus nomes comprometidos em casos de corrupção, desvio de verba pública, utilização indevida da máquina, entre muitas outras atitudes condenáveis. Apesar disso, continuam, eleição após eleição, peças de grande influência no cenário político nacional.
 
 Desde o início da crise no Ministério dos Transportes, no começo do mês de julho, a Controladoria Geral da União (CGU) abriu diversos processos para apurar as denúncias na pasta. A presidente Dilma Rousseff também resolveu agir, adotou pulso firme no combate à corrupção e não hesitou em “cortar na própria carne”. Com rapidez, chamou os auxiliares sobre os quais pairavam suspeitas e cobrou explicações, bem como ordenou o afastamento de funcionários e pediu investigações assim que tomou conhecimento das denúncias.
 
 Porém, será que a louvável atitude da presidente é suficiente para combater os frequentes casos de corrupção há anos registrados no país? Não acredito! O afastamento dos culpados não basta pois enquanto houver impunidade haverá corrupção. É preciso algo a mais: uma minuciosa reforma política, que determine punições mais severas aos envolvidos, fazendo com que eles respondam criminalmente pelo delito cometido.
 
 É necessário também maior envolvimento da população, em grande parte alienada politicamente e passiva a tantos escândalos. Se a reforma política está há anos sendo debatida, porém nunca sai do papel, cabe à população uma punição eficaz aos corruptos: o voto.
 
 Lamentavelmente, a grande maioria dos políticos envolvidos em escândalos de corrupção volta a se candidatar e, por incrível que pareça, boa parte consegue se eleger novamente. Isso graças à indiferença do eleitor, que não demonstra preocupação com o comportamento de nossos homens públicos, não busca informações a respeito da conduta, do passado e da história dos candidatos, votando indistintamente e sem critério.

 Cabe a nós, cidadãos de bem, preocupados com o futuro do país, de nossos filhos e netos, fiscalizarmos permanentemente a classe política, fazendo com que o dinheiro arrecadado através dos inúmeros impostos que pagamos, diariamente, seja utilizado de forma correta e honesta, para melhorias da saúde, educação, segurança, entre muitos outros itens necessários ao bem estar do povo brasileiro.
 
 Não devemos aguardar que as irregularidades sejam punidas internamente. É necessário que cada um faça a sua parte: esteja atento aos escândalos, guarde muito bem o nome dos envolvidos e não permita, através do voto, que essas pessoas tenham novamente o direito de exercer um cargo público.
 
 Se você também se revolta quando abre os jornais e lê tantos casos de depravação, mude sua atitude na hora do voto. Essa pode ser a mais eficiente forma de combatermos a corrupção.
 
*Dr. Raimundo Hermes Barbosa
Presidente da Federação das Associações dos Advogados do Estado de São Paulo (FADESP)
 

 

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