Ações libertam mais de 50 trabalhadores em Boca do Acre/AM

O trabalho em condições análogas à escravidão no serviço de preparo do solo para a pastagem do gado – popularmente conhecido como “roço de juquira” – foi encontrado mais uma vez por fiscalizações po poder público em diversas propriedades da Amazônia. Ao todo, 54 trabalhadores – entre eles, 7 adolescentes na faixa de 15 a 16 anos de idade – viviam em condições desumanas em fazendas de pecuária em Rondônia e no Amazonas.

O grupo de vítimas que foi resgatado mais recentemente era formado por oito parentes. Um deles não tinha 18 anos completos. O flagrante se deu em operação de rotina da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Rondônia (SRTE/RO) na Fazenda Tuliane, que pertence a Antônio Alves da Silva e fica nas proximidades da Usina Hidrelétrica de Jirau, no Estado de Rondônia. A operação teve início no dia 13 de setembro.

Os trabalhadores viviam em barracos de madeira e de lona, sem acesso à água potável e a condições minimamente dignas de moradia e de trabalho. Situação parecida vivia a propriedade ao lado. Os dois donos das áreas no distrito de Jaci-Paraná, que faz parte de Porto Velho (RO), não pagavam os salários com regularidade e, quando efetuavam algum pagamento, descontavam os valores referentes às cestas básicas entregues aos empregados. Nenhum EPI foi fornecido para a realização das tarefas. Os trabalhadores, que eram provenientes de municípios vizinhos ao de Jaci-Paraná, estavam, em média, há 3 meses no local.

Os donos da Fazenda haviam assinado um TAC. No caso de descumprimento de cada uma das obrigações previstas em 38 cláusulas contidas no acordo, a multa a ser paga foi fixada em R$ 50 mil por constatação e mais R$ 5 mil por trabalhador prejudicado.

Em ação anterior, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Amazonas, o MPT e a PRF encontraram 42 trabalhadores em regime de escravidão, incluindo seis adolescentes.
O grupo estava no município de Boca do Acre (AM), no interior do Amazonas, a mais de 1 mil quilômetros de Manaus (AM). Os adolescentes, não estavam acompanhados dos pais e não frequentavam a escola. O grupo estava em duas fazendas de criação de gado bovino: Fazenda Santa Terezinha do Monte, de Antônio Fábio Gardingo; Fazenda Simonike e Kero Kero, de propriedade de Sebas-tião Gardingo. A ação foi realizada no final de julho. O “gato” – aliciador dos empregados – comprava os alimentos em um mercado e revendia aos trabalhadores por um preço superior. (Repórter Brasil)

 

 

 

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