Cortem-lhe as cabeças!

É impressionante a capacidade dos acreanos de irem atrás de culpados quando acontecem coisas ruins! No resto do país, este sentimento é forte. Mas aqui é diferente. Aqui o povo não descansa. Inventa, futrica e ‘caça’ até achar alguém pra jogar a culpa. E se este ‘alvo’ sai impune na Justiça, ele passa a ser ‘marcado’ por uma população que até aparenta esquecer. Mas, no fundo, é mais rancorosa do que todas as sagas de Edipos e Elektras que os gregos antigos poderiam imaginar.  

De um lado, este é um aspecto até positivo, pois mostra que os acreanos não são tolos ingênuos, à espera de serem tapeados. No entanto, do outro lado da moeda, o povo precisa aprender a moderar melhor esta sua sede insaciável, uma vez que a busca descontrolada por bodes expiató-rios pode se tornar uma armadilha para a impunidade, a injúria e a injustiça.

A decisão de banir o Estrelão da Série C (por acionar a Justiça comum para liberar os jogos no Arena da Floresta, ao invés da Justiça Desportiva/STJD) se enquadra perfeitamente nesta dicotomia da culpabilidade. Ao sair o veredicto, fomentou-se em todas as redes sociais e papos de botecos uma onda de ‘ódio’ induzido contra a promotora do MP que entrou com a ação de interditar o Arena. Daí pra frente, todo o mal do universo passou a ser culpa dela. É certo que a revolta dos torcedores é maior do que o iceberg que afundou o Titanic. Mas ela não pode cegá-los ao ponto de distorcer a realidade.   

A promotora, fazendo o que ela entendia exigir a sua função, realmente foi quem começou tudo isso. Mas é simplório demais pensar que foi ela – e só ela – que causou tudo isso. Todos parecem esquecer a derrapada jurídica que deram ao ferir a competência do STJD e levar um típico caso esportivo à Justiça comum. Os xingadores perdem a razão e ficam iguais aqueles pais que, diante da gravidez da filhinha, preferem culpar o marmanjo que a ‘embuchou’. Como se ele tivesse feito tudo sozinho!

Além disso, tais acusações são desnecessárias. Ora, o Rio Branco FC. tem que focar suas energias na elaboração da melhor defesa da sua história para recorrer junto ao STJD, e não desperdiçá-las em meio a nhê nhê nhês de choramingões. As pessoas precisam entender que ficar inventando culpados não é o que vai salvar o Estrelão de perder no ‘tapetão’. A salvação só pode vir de um recurso extraordinário.

E que esta lástima ao nosso futebol possa vir a servir de lição! 

Os acreanos precisam perder este costume de ‘minino buxudo’ (na falta de um termo melhor ) e, diante de uma crise, para de sair apontando o dedo pra todo mundo atrás de ‘cabeças pra rolar’. Não é assim que as coisas funcionam. Só porque você tem um culpado não significa que o mundo vai girar ao contrário e o tempo vai voltar. Problemas só se resolvem com soluções. E achar culpados é só um 1º passo para estas soluções. Os demais passos, cabe aos apaixonados torcedores desta cidade descobrirem a partir de agora!

*Tiago Martinello é jornalista.
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