Plano B

Hoje milhares de médicos fazem greve em todo o país para cobrar mais respeito das operadoras dos planos de saúde e exigir que o valor das consultas e demais procedimentos médicos sejam reajustados. Apenas um dia de paralisação que irá repercutir em alguns outros dias de espera para o agendamento de consultas e que afetará milhões de brasileiros que dependem desses profissio-nais. No Acre, 14 planos de saúde atendem em torno de 68 mil pessoas em todo o Estado. Defendem o direito de protestar, de se indignar com o valor pago a eles pelo atendimento qualificado e minucioso que oferecem no cuidado com vidas humanas.

Bom, nem todos os profissionais médicos oferecem atendimento qualificado e minucioso. Nem nos planos privados, tão caros e cheios de “não pode”, nem no atendimento particular. Pior ainda é pelo SUS quando parece que estamos pedindo favores. A humanização atingiu profissionais de saúde de várias formações, mas infelizmente não tocou o coração da maioria dos médicos.

Muitos continuam pensando e agindo como se fossem inatingíveis. Mesmo considerando a pressão pela precisão do diagnóstico, as extensas cargas horá-rias, a cobrança dos superiores ou a própria cobrança pela excelência do trabalho, tirando tudo isso ainda digo que, sim doutores, vocês podem melhorar e olhar a vida de seus pacientes/clientes com mais cuidado e atenção.

É reconfortante chegar diante de um médico e saber que seremos ouvidos, escutados. Se prestasse atenção no que dizemos, o médico já teria parte do diagnóstico confirmado. Ouvir, perguntar, questionar faz parte da ação humana e deveria ser ainda mais do profissional médico. Nenhum conhecimento é estático, portanto não ter medo de querer saber, conhecer deveria ser requisito básico desse profissional.

Sinceramente espero que esses 120 mil médicos em todo o Brasil e os 300 do Acre que irão parar hoje tenham consciência de que depois terão que encaixar seus pacientes em outros dias e horários. Espero que não joguem a responsabilidade apenas para os usuá-rios dos planos de saúde que podem ser obrigados a recorrer à Justiça caso se sintam prejudicados. Os clientes podem também formalizar reclamação na Agência Nacional de Saúde apesar de duvidar de que isso desperte esse elefante branco dormindo sobre a carência deste setor.

Quem tiver um plano B que use porque hoje atendimento dos planos de saúde querido consumidor brasileiro não vai dar mesmo. Os serviços de urgência e emergência deverão funcionar daquele jeito que todos já conhecem com um número ainda mais restrito de médicos. Vamos torcer pra que tudo dê certo no final. Dizem que sempre dá.

 

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