O Acre existe na mídia mundial

Nos mais recentes dias o Acre ocupou o noticiário nacional e internacional. O terremoto que aconteceu semana passada no Peru e balançou os prédios de Cruzeiro do Sul e Rio Branco mereceu destaque. Também a triste situação do Rio Acre que vive a sua maior seca dos últimos 40 anos mereceu a atenção da mídia. A possibilidade de haver um desabastecimento de água numa das capitais brasileiras devido ao assoreamento de um rio amazônico é assunto de interesse mundial. Isso porque todos os olhos estão voltados para a Amazônia e o que a região representa para a manutenção da ordem ambiental do planeta.   

Geologicamente os rios da Amazônia são bastante novos e ainda estão buscando a formação dos seus leitos definitivos. Por isso, todo cuidado com a manutenção da vegetação às suas margens ainda é pouco. Se não forem adotadas políticas emergenciais para a proteção dos nossos recursos fluviais a região mais verde do mundo poderá a vir se transformar num deserto. Pelo menos é isso que dizem os especialistas em meio-ambiente. Sem querer entrar no clima de apocalipse parece que as previsões estão corretas. Moro há oito anos no Acre e nesse período pude observar como os verões estão se tornando cada vez mais quentes e mais secos.

O desmatamento precisa parar com urgência. O desenvolvimento sustentável tem que ser colocado na prática com toda a responsabilidade para que não se torne apenas uma expressão de retórica. Sou contra qualquer tipo de internacionalização da Amazônia. Mas acho que chegou a hora dos estados da região Norte criar um conclave para discutir uma política ambiental conjunta que resolva a equação da necessidade de produção versus preservação. Isso tem que acontecer além de questões partidárias. Os gestores da Amazônia precisam encarar a responsabilidade que recaí sobre eles num momento delicado em que as mudanças climáticas podem ser sentidas por qualquer morador da região.

Os invernos são menos chuvosos e os verões mais secos. Os antigos seringueiros que atualmente se tornaram motoristas de táxis, bancá-rios, funcionários públicos, comerciantes são testemunhas das mudanças climáticas no Acre e no resto da região. É preciso acordar enquanto ainda temos uma grande reserva florestal. A preservação da beleza e do mistério das nossas matas será a maior herança que poderemos deixar para as gerações futuras.

* Nelson Liano é jornalista
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