Irresponsáveis no trânsito

Sempre fui um forte crítico das irresponsabilidades do trânsito, por isso mesmo o meu primeiro artigo no jornal A GAZETA, quando iniciava na vida jornalística, foi sobre o caos que era em Rio Branco. Vários anos após volto a escrever breves linhas sobre o tema, porém sobre outra ótica, o de quem vê com medo a falta de consciência de motoristas irresponsáveis que, além de colocar a própria vida em risco, ainda ameaçam a integridade física de quem teve a infelicidade de lhes atravessar o caminho.

Um acidente recente envolvendo um ente querido trouxe à tona essa minha preocupação. Um motorista, que em torno de um mês antes tivera se envolvido em outro acidente, conseguiu colidir com um Fiat na contramão. Não prestou assistência, não ficou para dar informação e já conseguiu até tirar seu carro do pátio do Detran. Após uma semana, apesar de ter saído ileso do acidente, onde se evadiu, não tentou entrar em contato com nenhuma das cinco vítimas para qualquer solidariedade.

Isso tudo já é motivo de revolta por parte das famílias que esperam por justiça, uma que impeça que pessoas irresponsáveis no volante traumatizem outras famílias, outros filhos, outros pais, simplesmente por que podem fazer o que fazem sem serem molestados. Seria capaz de apostar que uma pessoa capaz disso poderia facilmente tripudiar da desgraça alheia, achando estarem impunes a qualquer mal. “A espada é forte, mas corta dos dois lados”, um ditado árabe sem sentido, mas que ressalta que os males feitos podem retornar ao seu “criador”.

Apesar de jornalista cheguei a ficar envergonhado quando, em alguns órgãos de comunicação, chegaram a afirmar que o carro do meu familiar estaria fazendo um racha. Um Fiat contra uma S-10, demonstrando que o famoso disse-me-disse foi a única fonte. Quem esteve na cena do acidente conseguiu relatar a verdade, porém outros colocaram as vítimas na mesma condição do irresponsável do outro carro.

Outro fato que me deixou contrariado foi um comentário dizendo que o responsável era o secretário de Esportes por não fazer uma pista para “pegas”. A resposta veio a cavalo de um outro familiar indignado, que disse: “sairia mais barato comprar algumas armas, entregar a cada um deles para brincarem de roleta-russa, num campeonato, onde só sairia um vencedor”.

Diariamente esses irresponsáveis do trânsito estão por aí, fazendo pegas, dando cavalos de paus, manobras perigosas, porém o fato de serem filhos de pessoas com um certo poder aquisitivo coíbe uma ação da polícia de trânsito. Infelizmente tudo no Brasil depende do ponto de vista da Justiça ou de seus meios, depende de quem é filho, de quem é parente, de quem é conhecido. Se você, cidadão, quer ter justiça… esqueça!

 

 

 

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