Somos, sim, preconceituosos

Por mais que a sociedade e seus cidadãos tentem evitar, nós somos pre-conceituosos. Isto é quase uma generalização no ponto de vista moderno. Alguns vão afirmar o contrário. “Somos éticos, devido nossas religiões, convicções, ideologia de vida, mas no fundo todos temos uma ponta de preconceito”, dirão no final.

Entre as crianças – o que considero uma das mais perigosas, pois é nesta fase que se forma o homem e a mulher do futuro – , qualquer outra que não se encaixe no padrão perfeito é imediatamente tachado de “quatro olhos”, “bola”, “palito”, “biba”, entre outros milhares de adjetivos, todos pejorativos, infelizmente.

No cotidiano, na vida social, a falta de instrução, o menor poder aquisitivo, pode influenciar nos ciclos de amizade. Nos esportes, a falta de destreza, garra ou simplesmente ter tido o dom de ter nascido com uma coordenação motora acima da média, pode excluí-lo do “melhor da festa”.

Mas aí percebemos que esse conceito criado pode influenciar na hora de conseguir um emprego. Um homem bem vestido, “bem apanhado fisicamente” (o famoso sarado), levam vantagem sobre os “CDF’s”. Aqueles que dedicaram uma vida aos estudos, pelo menos na maioria dos casos. A “miss”, a “po-pozuda”, sempre ganha no desempate, o que muitas vezes nem mesmo ocorreu.

Agora vamos para o “calcanhar de Aquiles”. Nem sempre ser uma “beata” ou um “servo” – títulos conferidos para algumas pessoas abnegadas com o trabalho do Senhor – é o suficiente para reter a atenção, claro que quando necessário, de padres e pastores. Normalmente a atenção está voltada para aquele servo que ajudará de alguma forma. Se for um político, a atenção será redobrada.

“É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”, o que mais na frente ele afirma que nem todos, mas muitos irão herdar o reino. Mas o que afirmo, nestas poucas palavras é que alguns (não são todos, felizmente), sejam pastores ou padres, os políticos e os poderosos parecem ser os alvos principais de suas orações. E se o culto ou a missa for próximo ao período eleitoral, pode esquecer parte dela, pois em algum momento será enfatizado o que pode ou não fazer esse político.

Talvez o artigo venha no momento em que a minha careca começa a ficar difícil de esconder, a barriga já é uma companheira, o cabelo branco supera os pretos. Ou quem sabe não seja o cansaço de ver as pessoas humildes e desprestigiadas pela natureza, terem seus direitos adquiridos relegados por um conceito bobo do ser humano.

Se você dá tanto valor ao fator físico e ao mesmo tempo acredita na alma, seja espírita ou cristão, deve se lembrar que o corpo tem forma, mas a alma não tem forma, cor, cheiro, status ou pomposa conta corrente. Cuide do corpo, mas nunca esqueça a alma.

 

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