Nos tempos digitais

Um perigo para os adúlteros, os fodões do pente é o pente, traidores ou simples puladores de cerca essa coqueluche das maquininhas de fotos digitais. Elas estão por toda parte, festas, restaurantes, bares, eventos… Como estão embutidas também nos celulares, a brigada moralista, também onipresente, pode muito bem enviar na hora, para o email da suposta vítima do chifre, o B.O., o flagrante delito. Isso é o que se pode chamar de tecnologia de “ponta”.

Muito melhor e eficiente do que as velhas cartas anônimas por meio das quais os donzelos e as donzelas de antigamente eram denunciadas. Os bilhetes, aliás, hoje foram substituídas pelos hotmails anônimos da vida –  quem-avisa-amigo-é@hotmail.com ou pelos falsos twitters @AbreoOlho #ficadica.

Mas nada como a fotinha, embora possa dar em muita confusão sem sentido ou equilíbrio de verdade.  Dependendo do enqua-dramento, um simples beijo mais perto da boca pode render um rebuliço dos diabos. Um olhinho fechado às vezes por charme ou cansaço pode ser o fim do mundo. Uma tragédia nas páginas policiais. Cena de sangue no Bar do Cabeleira…

Pior é que, além dos delatores velhos Salvadores do amor, há ainda o efeito ampliação. Lembro-me de um filme, onde na fita, um fotógrafo revela, sem querer, um crime que estava rolando no exato momento em que disparava sua câmera em um parque. O crime estava por trás do beijo de um casal.

Os fotologs e blogs são mestres no efeito de amplitude. Você vai ver as fotos de uma festa e, pimba, lá está o(a) amado(a) em caliente fuça-fuça ou aquela velha promoção sal si fufu, pior, nos braços de um(a) outro(a) qualquer. De cortar os mais lúcidos e cínicos dos nervos de aço.

Infelizmente as maquininhas estão soltas por ai, sempre revelando, como na canção bossanovista, enormes ingratidões. Antes os bons tempos da filosofia de pára-choque, como leio agora no velho caminhão que sacolejava durante uma externa (viagem de jornalista entre as pautas) na frente do carro:  “O que os olhos não vêem o coração não sente”.

Mas vejo o lado bom das coisas, você voltou a ter sua liberdade, então siga em frente e arregace no Reginaldo Rossi entre outros.
A velha me chamou de corno, disse que não era homem pra você, faria tudo de novo se sou corno és prostituta fiz só pra te defender, me chamou de vagabundo e disse que é você que me sustenta, eu sou um guarda-noturno a velha me humilhou e eu passei-lhe a mão nas ventas”.

Victor Augusto (@bombomzao)
www.pedorelha.blogspot.com

 

 

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