Um cansado texto sobre internet e redes sociais

Odeio ter que escrever sobre internet. Todo mundo fala sobre isso. E rede social, então?  É impressionante como todo mundo entende do assunto! Repito: eu odeio ter que escrever sobre isso. E se odeio, por que o faço então? Talvez pelo mesmo motivo que alguns fazem uma conta na rede social do momento, ou seja, pra justificar perante os outros que também estou no mundo virtual.

Pois é, existem dois mundos agora e dois tipos de pessoas dentro deles. Aqueles que acham que o que fazem nas redes não têm nada a ver com o mundo real e aqueles que morrem de medo de falar asneira e arcar com as consequências disso no mundo real.

Virtual x Real começa mais um clássico. De um lado os craques Facebook, Twitter, Instagram, Tumblr e o mais novo agregado à família, sua excelência o Pinterest (Não conhece? Você está fora do game, mas acredite: você vai ouvir falar dele!). Deles se espera muito, principalmente do Facebook pela fama que tem, afinal há mais pessoas compartilhando textos, vídeos e ideias no Face (sim, se você tá na vibe não é Facebook, meu caro, é Face, sacou?) do que moradores nos Estados Unidos (é mais gente que toda a população do mundo em 1800). E lembremos que o time virtual conta ainda no banco de reservas, com os veteranos Orkut e Msn (totalmente #FAIL se é que você me entende. E se não entende #ficaadica: googa aí que vai ter mil páginas te explicando) que já estão em fim de carreira. No time real temos um ataque dos sonhos formado por doido, medroso e covarde, sob a batuta do técnico Processo. O clássico vai pegar fogo!!!!

O que quero dizer com essa analogia é que no Facebook ou na padaria, você é sempre o mesmo. O que fala e o que pensa sobre os outros, sobre as coisas, têm a mesma relevância mesmo que em dimensões diferentes. Portanto, a menos que queira ser Fake, “e você pode sê-lo nos dois mundos”, é melhor ter, em qualquer lugar, responsabilidade com o que fala. A velocidade da informação e as relações virtuais assustam tanto, pois são tão rápidas e práticas que acabam se tornando um incentivo para que no mundo virtual sejamos reais e possamos nos despir do personagem que todos interpretamos no dia a dia. É mais fácil dizer o que pensa na frente da tela, ainda mais se for de led, full HD, etc…

É lógico que também é fácil na internet interpretar outros personagens. Com um atrativo, ou “plus”. No mundo real você interpreta o personagem que a vida lhe impõe, na internet você pode interpretar quem você quiser: o Aventureiro, o Don Juan, o Justiceiro, o Bom Moço, o jornalista Intrépido e até Deus e o Diabo você pode ser, é só dizer que é e agir como se fosse. Simples, ninguém te vê.

Contudo, sem querer ser um estraga prazeres, não importa quem você queira ser, vai sempre tomar um choque de realidade quando tiver de arcar com as consequências do que fez ou falou em qualquer dos mundos. E é a partir daí que fica clara a grande farsa que é a internet se for vista como um outro mundo. Afinal toda a conse-quência ainda está lá.

O mundo virtual vai sempre desaguar na vida real das pessoas, por isso ele simplesmente não existe. A internet deve ser encarada como uma ferramenta e nada mais que isso, por mais inspiradora que seja, na prática não é diferente das outras ferramentas que o homem inventou ao longo de sua história. Se vista dessa forma ai sim poderemos transformar a velocidade, abrangência e capacidade de interação em algo extremamente positivo e facilitador para aquilo que realmente importa na vida de todos: as relações humanas. Por isso, no clássico real X virtual eu fico com o Barcelona.

Aarão Prado é musico e radialista ([email protected])

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