Pelo direito de viver

O caso da paciente que teve negado o direito de ser operada no Hospital das Clínicas no fim da tarde de segunda-feira merece reflexão. O episódio beira ao descaso: a cirurgia já estava agendada, depois de seis meses

de tentativas, e a anestesiologista, alegando questões trabalhistas, se negou a atender a paciente.

O rim que deveria ser retirado do organismo da trabalhadora-cidadã podia esperar mais um pouquinho. Afinal de contas, trata-se de uma “cirurgia eletiva” (que não é de urgência). Além de descaso, é um desrespeito. A pessoa que estava ali deitada a espera da operação também se preparou para aquele momento.

Certamente tinha trabalho, compromissos, uma família para cuidar e uma vida a preservar. O mínimo que a saúde pública deve zelar é pela vida da paciente. Se se tratava de uma cirurgia eletiva, de urgência, urgen-tíssima, ultra-urgentíssima isso é questão de menor monta.

O que está em jogo é o direito do cidadão que deve estar fundamentado em princípios e não em legislações trabalhistas, capengas porque corporativas. Quisesse a anestesista criticar os erros de escala de trabalho que o fizesse no fórum adequado, mas não virasse as costas a uma vida que apelava pelo seu cuidado.

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