Monopólio estatal em aeroportos está ultrapassado, diz Vale

O modelo de monopólio estatal na administração dos aeroportos do país está esgotado, porque não faz sentido o governo investir em aeroportos rentáveis, quando existem tantas outras áreas carentes de recursos públicos. Esta é a visão do presidente da Infraero, Gustavo do Vale, que também não vê razão para uma discussão ideológica em torno da privatização no setor.

– O país precisa entender que o modelo que o Brasil adotou ao longo de todos esses anos para os aeroportos está esgotado. A demanda vem crescendo e o nível de investimentos necessários não permite ao governo ficar sozinho. O governo tem “n” prioridades para ficar gastando dinheiro com aeroporto rentável. A discussão ideológica da privatização não faz nascer um pé de alface no país – disse, em entrevista ao GLOBO.

O dirigente destacou, entretanto, que mesmo com o processo de concessões em curso, a rede de aeroportos administrados pela estatal não será reduzida significativamente. Ao contrário, vai até crescer, porque a Infraero passará a administrar aeroportos regionais que hoje estão sob a jurisdição de estados e municípios.

Nesse novo modelo de administração, a estatal ficará encarregada de administrar aeroportos que, embora não sejam rentáveis, tem importância estratégica para o desenvolvimento do país.

– Temos uma aviação regional crescendo, aeroportos importantes no interior tendo problemas com a Anac, porque não dispõem de caminhão de bombeiro, por exemplo. A Infraero é uma empresa pública. Tem obrigação de administrar aeroportos que, embora não sejam rentáveis ainda, têm fundamental importância para o país.

Como exemplo, Vale citou Chapecó (SC) e os aeroportos de São João Del Rei e de Varginha (em Minas), que estão com dificuldades. Outro é Juazeiro do Norte (CE). Há ainda terminais na Amazônia e na região de fronteira que são estratégicos e outros com potencial para crescer, podendo transformar-se em internacionais, como o de Ribeiro Preto, administrado pelo estado de São Paulo. Maringá (PR) também está na lista.

O plano de voo da estatal, segundo o presidente, prevê parcerias com estados e prefeituras, com um formato de negócio diferenciado. Nesses casos, a empresa quer atuar só como administradora do aeroporto, deixando a prefeitura, ou o estado, responsável pelos investimentos. Atualmente, a Infraero é operador e investidor. Também está nos planos da empresa, a construção de novos aeroportos, dentro da política do governo de longo prazo para o setor.

– As pessoas só pensam nos aeroportos que existem. E os novos? – pergunta. – Um aeroporto leva dez anos para ser feito, quem vai fazer? É o ente público, o ente privado ou ambos? Nenhum agente privado vai investir por dez anos para ter rentabilidade depois, mas acredito que topa fazer uma parceira com o ente público e aí entra a Infraero – destaca o presidente da Infraero.

Alguns gargalos já estão identificados, como nos aeroportos de Porto Alegre e Salvador, por exemplo. Em menos de dez anos, será necessário construir novos terminais nesses locais. A capital do Acre (Rio Branco) também tem problemas sérios na pista, relacionados ao terreno onde o terminal foi construído. (Agência O Globo)

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